#ArteviewNaPoltrona Review de “Mestres do Universo” (2026)
Mestres do Universo tinha tudo para dar errado. Durante anos, Hollywood tentou transformar desenhos clássicos em filmes cada vez mais sérios, sombrios e “realistas”. Muitas vezes o resultado era justamente o oposto do que os fãs queriam. Felizmente, esse não é o caso aqui. O filme dirigido por Travis Knight entende algo muito simples: He-Man sempre foi divertido.
Eternia continua sendo um mundo de guerreiros, magos, criaturas estranhas, castelos gigantes e vilões extravagantes. Em vez de fugir disso, a produção abraça essas características e entrega uma aventura que respeita o desenho original sem ficar presa à nostalgia.
Nicholas Galitzine surpreende bastante como Adam e também como He-Man. Existe um carisma natural no personagem que faz a jornada funcionar. Ele convence tanto nos momentos mais leves quanto quando finalmente assume o papel do herói mais poderoso de Eternia. É aquele tipo de escalação que gerou desconfiança antes da estreia e que acaba funcionando melhor do que muita gente imaginava.
Jared Leto acerta ao não transformar Esqueleto em um vilão genérico e sombrio. Ele continua ameaçador, mas também continua sarcástico, debochado e exagerado como sempre foi no desenho. Ele faz comentários ácidos, provoca seus aliados, perde a paciência com facilidade e rouba várias cenas simplesmente por ser divertido de assistir. É impossível não perceber o quanto o ator parece estar se divertindo no papel.
Camila Mendes também está muito bem como Teela. A personagem ganha espaço na história e não existe apenas para acompanhar o herói. Ela participa da ação, toma decisões importantes e ajuda a carregar a narrativa em diversos momentos.
Já Morena Baccarin entrega uma Feiticeira elegante e imponente. Visualmente ela parece ter saído diretamente do desenho, e sua presença traz o peso necessário para uma personagem tão importante dentro da mitologia de Eternia.
Outro ponto que me conquistou foram as referências ao desenho clássico. Quem cresceu assistindo He-Man vai reconhecer personagens, situações, frases e elementos que fazem parte da história da franquia há décadas.
O roteiro segue caminhos bastante previsíveis em alguns momentos e certas cenas poderiam ser mais curtas. Mas, sinceramente, esses problemas nunca me tiraram da aventura. O que mais gostei em Mestres do Universo foi a sensação de que ninguém ali tem vergonha do material original. O filme não tenta pedir desculpas por ser He-Man. Não tenta transformar Eternia em algo que ela nunca foi. E talvez seja justamente por isso que funciona.
O filme é uma aventura divertida, cheia de ação, humor, personagens carismáticos e muito respeito por aquilo que tornou He-Man tão popular. E para quem cresceu ouvindo “Pelos poderes de Grayskull!”, isso já vale bastante.
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