“Filumena Marturano” no Teatro do SESI-SP
O Grupo TAPA estreia, pela primeira vez no Teatro do SESI-SP, no Centro Cultural FIESP, na Avenida Paulista, a montagem de “Filumena Marturano”, uma das obras mais conhecidas do dramaturgo italiano Eduardo De Filippo. Com direção de Eduardo Tolentino de Araujo e protagonizada por Sandra Corveloni e André Garolli, a comédia chega ao palco em 16 de outubro, com temporada até 20 de dezembro e entrada gratuita.
Com mais de quatro décadas de trajetória, o Grupo TAPA já levou aos palcos brasileiros obras de autores como Luigi Pirandello e Nicolau Maquiavel. Em 2026, a companhia se encontra pela primeira vez com a dramaturgia de De Filippo, em uma montagem que aborda temas como família, maternidade, reconhecimento, relações de poder, diferenças de classe e a condição da mulher.
Escrita em 1946, “Filumena Marturano” acompanha uma ex-prostituta que, depois de 25 anos vivendo com Domênico Soriano, decide fingir que está à beira da morte para convencê-lo a se casar com ela. Quando a farsa é descoberta, a revelação de que Filumena tem três filhos provoca uma série de conflitos e coloca em jogo questões relacionadas à dignidade, ao afeto e ao reconhecimento familiar.
No elenco, Walter Breda interpreta Alfredo, enquanto Maria do Carmo Soares vive Rosália. Os dois personagens são figuras próximas dos protagonistas e também responsáveis por boa parte da comicidade da montagem. Completam o elenco Daniel Volpi, Ivan Nobrega, Felipe Souza, Ruiz Angellus, Luísa Ferrari e Mari Teixeira.
Para Eduardo Tolentino de Araujo, a peça combina o humor característico da obra com questões sociais e históricas. A trama se passa em uma Itália marcada pelas consequências da Segunda Guerra Mundial e coloca frente a frente personagens de diferentes classes sociais.
“Filumena Marturano fala da família e das contradições da moral, das relações de classe e da condição da mulher”, destaca o diretor.
A tradução foi realizada por Eduardo Tolentino de Araujo e Maurizio De Simone, diretamente do napolitano, em uma tentativa de preservar as particularidades, os sentidos e as sonoridades do texto original. De Filippo, conhecido como o “Shakespeare napolitano”, teve em “Filumena Marturano” um de seus maiores sucessos, obra que posteriormente ganhou montagens em diferentes países.
A encenação aposta em uma proposta naturalista, ambientada em uma tradicional sala burguesa, com uma grande mesa como elemento central dos conflitos. A passagem pelos três atos também será marcada por mudanças visuais: o primeiro acontece à noite, com preto, branco e cinza; o segundo, pela manhã, utiliza cores claras e estampas florais; e o terceiro se passa ao entardecer, com tons pastel.
Os figurinos acompanham essas transformações por meio de diferentes cores, texturas e adereços. A trilha sonora reúne antigas canções napolitanas, interpretadas a cappella pelos próprios atores em momentos da encenação.
Uma história que atravessou o teatro e o cinema
“Filumena Marturano” já ganhou diferentes versões ao longo das décadas. Em 1964, foi adaptada para o cinema por Vittorio De Sica, no filme “Matrimônio à Italiana”, protagonizado por Sophia Loren e Marcello Mastroianni.
Nos palcos internacionais, a personagem-título também foi interpretada por nomes como Joan Plowright, em montagens realizadas em Londres e na Broadway, e Judi Dench, no West End londrino.
No Brasil, a peça foi montada pelo Teatro dos Quatro, com Yara Amaral no papel principal. Após a morte da atriz no naufrágio do Bateau Mouche, na virada de 1988 para 1989, Nathalia Timberg assumiu a personagem e deu continuidade ao projeto.
A trajetória da obra também inclui um episódio curioso: em julho de 1947, o elenco da montagem original foi recebido em audiência privada pelo Papa Pio XII, que pediu à atriz Titina De Filippo, intérprete original de Filumena, que apresentasse um dos monólogos da peça.
Encontro de gerações do teatro brasileiro
A nova montagem reúne diferentes gerações de artistas ligados ao Grupo TAPA. Walter Breda, com mais de seis décadas de carreira, volta a interpretar uma obra de Eduardo De Filippo. Em 2000, o ator recebeu o Prêmio Shell de Teatro de Melhor Ator por sua atuação em “A Arte da Comédia”, também do dramaturgo italiano.
Maria do Carmo Soares, uma das fundadoras do Grupo de Teatro Mambembe, também possui uma longa trajetória nos palcos e já integrou montagens do TAPA como “Amargo Siciliano”, de Pirandello, e “A Mandrágora”, de Maquiavel.
Sandra Corveloni e André Garolli pertencem à mesma geração de artistas que se aproximou do TAPA a partir dos anos 1990. Os dois já dividiram o palco em diferentes produções e, mais recentemente, estiveram à frente de “Credores”, de August Strindberg, um dos trabalhos de maior longevidade do repertório da companhia.
Sandra Corveloni também possui uma trajetória reconhecida no cinema. Em 2008, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes por sua atuação em “Linha de Passe”, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas.
A relação de André Garolli e Eduardo Tolentino de Araujo com “Filumena Marturano” começou a ser construída há cerca de oito anos. Os dois viajaram à Itália e assistiram, em Udine, a uma montagem dirigida por Luca De Filippo, filho de Eduardo De Filippo. A experiência despertou o interesse em levar a obra para o repertório do TAPA, projeto que agora finalmente chega aos palcos.
A estreia também marca a primeira passagem do Grupo TAPA pelo Teatro do SESI-SP, ampliando o diálogo entre a companhia e um dos principais espaços culturais da Avenida Paulista.
Centro Cultural FIESP – Teatro do SESI São Paulo |
Av. Paulista, 1.313, Bela Vista – São Paulo/SP
Temporada: 16 de outubro a 20 de dezembro | quinta a sábado, 20h; domingo, 19h
Ingressos: grátis
Reservas: sesisp.org.br/eventos
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos
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