Existem filmes de terror que assustam pelo susto. Outros, pela ideia. Juntos assusta pelos dois — e pelo que vem depois. Dirigido por Michael Shanks, o longa traz Dave Franco e Alison Brie (casados na vida real) vivendo Tim e Millie, um casal que decide recomeçar a vida no campo. A paz não dura: uma estranha piscina no porão de um santuário inicia um processo de transformação física e emocional que desafia qualquer definição de intimidade.
O filme foi aclamado em Sundance e vendido como “o melhor terror do ano” — título que, sinceramente, eu não compro totalmente. Sim, é original, visceral e incrivelmente bem-atuado, mas não sei se bate o posto de melhor. O que posso afirmar é que ele é um dos mais estranhos, desconfortáveis e, paradoxalmente, românticos que já vi.
O grande trunfo aqui está na química absurda entre Franco e Brie. Não é só casal de filme fingindo amor — é cumplicidade real. Isso faz com que cada cena grotesca tenha um peso extra, porque você acredita naquele relacionamento. E o body horror não está ali apenas para chocar: cada fusão, cada deformação, é reflexo direto do estado emocional deles.
Tecnicamente, o filme impressiona. Os efeitos práticos têm textura, cheiro (quase) e dor. A mistura com efeitos digitais é tão bem feita que o desconforto vem quase automático. E há humor — negro, incômodo — que quebra e ao mesmo tempo intensifica a tensão.
A cena que mais me marcou? A do corredor. Eles estão em quartos opostos, mas algo os puxa como se fossem ímãs humanos. A parede é o limite físico, até que… não é mais. É ali que acontece a primeira fusão “de verdade”, e o resultado é tão perturbador quanto hipnótico. É o tipo de momento que fica na cabeça muito depois que a sessão acaba.
Se você é fã de terror que mistura gore, metáfora e romance bizarro, Juntos é obrigatório. Não sei se é o melhor terror do ano — mas é, com certeza, o mais estranho e memorável.
