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#ArteviewNaPoltrona Review de “Hit Para Dois” (2026)

Hit Para Dois (Power Ballad) é daqueles filmes que parecem uma comédia leve sobre música, mas acabam encontrando algo mais interessante pelo caminho.

A história acompanha Rick (Paul Rudd), um cantor de casamentos na Irlanda que nunca conseguiu transformar seu talento em uma carreira de sucesso. Entre festas, eventos e contas para pagar, ele continua insistindo no sonho de ser reconhecido como músico. Tudo muda quando ele conhece Danny (Nick Jonas), um ex-astro de boy band que tenta desesperadamente reencontrar espaço na indústria musical. Ele está num dos casamentos que Rick está cantando e até faz uma participação durante o show. Após uma noite de amizade, música e algumas bebidas, Danny grava uma canção escrita por Rick, sem autorização dele. A música explode nas paradas de sucesso, mas o verdadeiro autor fica completamente fora da história.

O que poderia virar apenas uma disputa sobre direitos autorais acaba se transformando em algo mais humano. O filme fala sobre reconhecimento, sobre oportunidades perdidas e sobre a sensação de assistir outra pessoa viver a vida que você imaginava para si.

Paul Rudd está excelente. Rick é um personagem fácil de compreender porque carrega uma frustração muito real. Ele não é um gênio incompreendido nem um artista revolucionário. É apenas alguém que nunca conseguiu chegar onde queria. Rudd encontra um equilíbrio muito bonito entre humor, vulnerabilidade e amargura, fazendo com que a gente torça por ele mesmo quando suas escolhas começam a afetar as pessoas ao seu redor.

Nick Jonas também surpreende. Danny poderia facilmente ser retratado como um vilão, mas o filme evita esse caminho. Existe ego, claro, mas também insegurança. Danny é alguém que já conheceu a fama e agora luta para não se tornar irrelevante. Nick consegue transmitir essa necessidade constante de provar seu valor, o que torna o personagem mais interessante do que aparenta à primeira vista.

Mas o grande acerto do filme talvez seja justamente a química entre os dois atores. As cenas que compartilham juntos são as melhores da produção. Existe uma amizade genuína naquele primeiro encontro, e por isso a ruptura funciona tão bem depois. Você acredita que aqueles dois homens realmente se conectaram através da música.

E falando em música, “How To Write A Song Without You” é o coração do filme. A canção aparece em diferentes versões ao longo da narrativa, as vezes na voz do Nick, as vezes na voz de Paul, mas funciona exatamente como precisava funcionar. A canção composta por John Carney e Gary Clark tem cara de hit. É fácil entender por que ela se torna um sucesso e por que Rick não consegue seguir em frente depois de ouvi-la tomando conta das rádios sem receber qualquer crédito por sua criação.

O diretor John Carney mais uma vez demonstra entender como poucos a relação entre música e emoção. Assim como em Once e Sing Street, as canções não servem apenas para preencher espaço. Elas ajudam a contar a história e revelam sentimentos que os personagens muitas vezes não conseguem expressar em palavras.

O filme também faz uma crítica interessante à indústria musical. Nem sempre quem cria recebe reconhecimento e não é quem aparece nos palcos. Muitas vezes o talento sozinho não é suficiente para garantir sucesso. Ainda assim, Hit Para Dois evita transformar essa discussão em algo excessivamente amargo. No fundo, é uma história sobre pessoas tentando encontrar seu lugar no mundo.

O desfecho segue essa mesma linha. Em vez de apostar em grandes confrontos ou longas batalhas judiciais, o filme escolhe um caminho mais emocional. Não é apenas um filme sobre uma música roubada. É sobre sonhos adiados, amizades complicadas, escolhas erradas e segundas chances.

#HitParaDois, que estreia dia 11 de junho, somente nos cinemas.

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