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#ArteviewNaPoltrona Review de Pânico 7 (2026)

Existe algo quase ritualístico em voltar ao universo de Pânico. Não é apenas assistir a um novo capítulo; é revisitar uma herança. Desde que Wes Craven transformou o slasher em comentário metalinguístico nos anos 90, cada sequência carrega a responsabilidade de dialogar com o próprio passado.

Ao entrar na sala para ver Pânico 7, senti aquela expectativa familiar: quem será? por quê? qual é a crítica da vez? O filme começa consciente dessa tradição. A abertura tem tensão, ritmo e uma atmosfera que nos devolve à paranoia coletiva que sempre foi a espinha dorsal da franquia. Há um respeito pela estrutura clássica, e isso funciona. Somos novamente convidados a desconfiar de todos.

Mas, conforme a narrativa avança, a sensação muda de intensidade. O filme entretém, sustenta o suspense, mas a camada metalinguística — aquela ironia inteligente que desmontava o gênero enquanto o praticava — aparece de forma mais tímida.

No centro emocional está o retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott. E aqui há algo que nenhuma estratégia de marketing poderia fabricar: peso histórico. Sidney não é apenas uma personagem; é memória viva da franquia. Campbell atua com maturidade, trazendo uma serenidade marcada por cicatrizes. Seu olhar carrega décadas de trauma, e sempre que ela está em cena o filme ganha densidade. A narrativa parece respirar melhor quando se ancora nela.

As atuações do restante do funcionam no plano do entretenimento — e o público responde a isso. Eles reagem, os sustos funcionam, o ritmo não deixa o filme cair. Mas emocionalmente, sinto que falta um aprofundamento maior nas motivações que movem esses personagens. O que antes era tragédia com ironia, aqui às vezes soa apenas como engrenagem de roteiro.

Em Pânico, o desfecho sempre foi mais do que um choque — era um comentário sobre fama, mídia, obsessão ou trauma coletivo. Neste capítulo, a identidade por trás da máscara não surpreende, a motivação não reverbera com a mesma força simbólica. Falta construção emocional. Falta aquele momento em que tudo se encaixa e nos obriga a reinterpretar cada pista.

Não é um capítulo fraco. Mas também não é um divisor de águas. Ele mantém a chama acesa, porém sem a ousadia incendiária que marcou os melhores momentos da franquia. E talvez o maior dilema de Pânico 7 seja justamente esse: como continuar sendo subversivo quando você já se tornou tradição?

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