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#ArteviewNaPoltrona Review de Uma Segunda Chance (2026)

Assisti Uma Segunda Chance, adaptação do romance Reminders of Him de Colleen Hoover, e fiquei com a sensação de ter assistido a um filme que aposta muito na emoção. É uma história construída sobre culpa, perdão e a tentativa quase desesperada de recomeçar. O tipo de drama que claramente quer fazer o público se envolver com a dor dos personagens, mas que também tenta olhar para pessoas imperfeitas com um pouco mais de compaixão.

A direção de Vanessa Caswill segue um caminho bastante íntimo. O filme não tenta transformar a história em um grande melodrama. Muitas cenas são conduzidas com certa delicadeza, quase como se estivéssemos acompanhando a vida de Kenna de fora, observando suas tentativas de voltar a existir em um lugar onde todos ainda lembram do pior momento de sua vida.

A história acompanha Kenna Rowan, interpretada por Maika Monroe, uma mulher que retorna à sua cidade depois de passar sete anos na prisão. O motivo é um acidente de carro que matou seu namorado, Scotty. O erro muda completamente sua vida e também a afasta da filha que nasceu enquanto ela ainda estava presa. Ao voltar, Kenna tenta reconstruir sua vida e encontrar alguma forma de se aproximar da menina, Diem, que está sendo criada pelos pais de Scotty.

Esse retorno não é simples. Kenna encontra portas fechadas e olhares que carregam julgamento. Nesse cenário surge Ledger, interpretado por Tyriq Withers, melhor amigo de Scotty. É nele que Kenna encontra algo que parecia impossível naquele momento da sua vida: uma pequena luz no fim do túnel.

Ledger tem uma relação muito próxima com Diem. Ele é apaixonado pela menina e praticamente faz parte da família, tratando-a como se fosse uma sobrinha. É justamente essa ligação que torna tudo ainda mais delicado. Ao mesmo tempo em que começa a surgir um sentimento entre Kenna e Ledger, também aparece ali uma possibilidade para que ela consiga, mesmo que de forma indireta, estar mais perto da própria filha.

Existe ainda uma medida protetiva que impede Kenna de se aproximar da menina. Isso torna cada encontro, cada tentativa de aproximação, ainda mais carregada de tensão emocional. Ledger acaba se tornando uma espécie de ponte entre esses dois mundos. Ele não apenas se envolve emocionalmente com Kenna, mas também a ajuda a reconstruir a própria vida, oferecendo trabalho em seu bar e apoiando seus primeiros passos nesse recomeço.

É nesse ponto que o filme encontra sua força. O romance não é apresentado apenas como uma história de amor. Ele representa uma oportunidade de reconstrução. Uma chance de alguém que cometeu um erro enorme tentar viver novamente.

Há um detalhe pequeno no filme que resume bem essa ideia. Em determinado momento percebemos que Ledger tem tatuado no braço a frase “Tomorrow is never promised. Amanhã nunca é garantido. É uma frase simples, mas que dialoga diretamente com a essência da história. O filme inteiro parece girar em torno dessa ideia de que a vida pode mudar de forma irreversível em um único momento e que, às vezes, a única coisa possível é tentar seguir em frente.

Maika Monroe carrega o peso emocional do filme. Sua Kenna vive entre o arrependimento e a esperança. A atriz encontra um equilíbrio interessante entre fragilidade e resistência. Não é uma personagem construída para ser perfeita. É alguém tentando conviver com o próprio passado.

O elenco de apoio também ajuda a dar densidade ao drama. Lauren Graham e Bradley Whitford interpretam os pais de Scotty, que criam a neta e ainda carregam a dor da perda do filho. O filme acerta ao não transformá-los em antagonistas. Eles também são vítimas da mesma tragédia.

Outro ponto que merece destaque é a trilha sonora. A música ajuda muito a construir a atmosfera emocional do filme. Canções como Light Over the Hill, de Noah Cyrus, aparecem em momentos importantes da narrativa e ampliam a sensação de vulnerabilidade da personagem. Já a versão delicada de Yellow, do Coldplay, interpretada por Morgan Harper‑Jones, ajuda a fechar alguns momentos do filme com uma carga emocional ainda maior.

Uma Segunda Chance é um filme que funciona melhor quando se concentra nas emoções dos personagens e nas pequenas decisões que moldam suas vidas. Quando desacelera e observa pessoas tentando conviver com seus erros, ele encontra verdade.

No fundo, a história não é apenas sobre romance. É sobre responsabilidade, perdão e sobre a dificuldade de seguir vivendo depois de um erro que não pode ser apagado.

Não é um filme revolucionário. Nem tenta ser. Mas há algo honesto em sua tentativa de lembrar que algumas pessoas passam a vida inteira tentando merecer exatamente o que o título promete: uma segunda chance.

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