Carregando agora

#ArteviewNaPoltrona Review O Primata (2026)

O Primata da Paramount Pictures é aquele tipo de filme que sabe exatamente o que quer ser — e não pede desculpa por isso. Um terror de sobrevivência direto, físico e cruel, que aposta menos em metáforas e mais na sensação pura de perigo. Dirigido por Johannes Roberts, o filme mergulha no horror primal de uma situação que começa quase banal e rapidamente se transforma em um pesadelo sangrento.

A premissa é simples (e eficaz): uma família e um grupo de jovens passam férias em uma casa isolada no Havaí, onde vive Ben, um chimpanzé criado como parte da família. A mãe — uma linguista que estudava comunicação animal — já morreu, o pai é surdo e escritor, e aquela convivência aparentemente harmônica carrega uma fragilidade silenciosa. Quando Ben sofre um ataque e começa a apresentar um comportamento violento, o que era afeto vira ameaça — e a casa se transforma em território de sobrevivência.

O filme não tem pressa em explicar demais. Ele prefere construir tensão pelo espaço, pelo isolamento e pela imprevisibilidade do animal. Johannes Roberts acerta ao usar efeitos práticos, dando peso físico às cenas de ataque. O chimpanzé é assustador justamente porque parece real, tangível — não um monstro digital. Isso faz toda a diferença.

O elenco sustenta bem a proposta. Troy Kotsur traz humanidade e vulnerabilidade ao pai, usando o silêncio como parte dramática da narrativa. Johnny Sequoyah conduz a tensão emocional com equilíbrio, enquanto Jessica Alexander e os demais personagens funcionam como peças de um jogo cruel que vai se desmontando aos poucos. Ninguém ali parece totalmente preparado — e isso ajuda o horror a funcionar.

Narrativamente, O Primata não tenta reinventar o gênero. Os personagens cometem erros, decisões impulsivas e, sim, atitudes questionáveis — algo que parte do público criticou, mas que também faz parte da lógica desse tipo de terror. Aqui, a inteligência não está em escapar ileso, mas em resistir tempo suficiente.

O começo pode parecer um pouco arrastado mas quando o filme decide apertar o botão do caos, ele não solta mais. As mortes são gráficas, impactantes e desconfortáveis — não há glamour, apenas desespero. E isso conversa bem com a proposta: o medo nasce do que é instintivo, não do espetacular.

No fim, O Primata funciona porque é honesto. Provoca tensão, medo e choque. Não é um filme para todos, mas é um terror competente, intenso e físico, daqueles que deixam o corpo tenso na poltrona e o pensamento inquieto depois dos créditos.

Um horror simples, bem executado e brutalmente eficaz. Às vezes, isso é tudo o que o gênero precisa.

Estreia nos cinemas dia 29 de janeiro de 2026.

Share this content:

VOCÊ NÃO PODE PERDER