#ArteviewNaPoltrona Review de Wicked: Parte 2

Wicked: Parte 2” chega aos cinemas no dia 20 de novembro cercado por uma expectativa rara: não é apenas a continuação de um fenômeno, mas o encerramento de duas décadas de afeto, debates e legado dentro do teatro musical.

Antes mesmo da estreia, já acumulava 98% de aprovação do público no Rotten Tomatoes — um sinal claro de que Oz voltaria ainda maior.

O filme realmente entrega um “final à altura” da jornada de Elphaba e Glinda. Não é apenas um desfecho: é a tentativa de amarrar emocionalmente tudo o que começou no palco e foi reimaginado no cinema.

A história retoma exatamente após “Defying Gravity”. Elphaba (Cynthia Erivo), agora vista como inimiga pública, tenta escapar das manipulações do Mágico (Jeff Goldblum) e de Madame Morrible (Michelle Yeoh). Ela carrega culpa, luto e a responsabilidade de expor a verdade — enquanto luta para libertar animais aprisionados e impedir que Oz mergulhe de vez num regime autoritário.

Enquanto isso, Glinda (Ariana Grande) se torna o rosto de uma esperança fabricada. Aprisionada ao próprio mito, ela precisa sustentar o sorriso impecável enquanto tudo ao redor desmorona. O reencontro das duas — carregado de saudade, ressentimento e um amor devastado — forma o coração emocional do filme.

Jon M. Chu abandona parte do brilho da Parte 1 para mergulhar em tons mais sóbrios, dessaturados e politizados, refletindo a decadência moral de Oz. E quando devolve a cor, ela surge como explosão de sentimento e catarse.

A música

A Parte 2 apresenta músicas inéditas — “No Place Like Home”, cantada por Elphaba, e “The Girl in the Bubble”, solo de Glinda. Essas faixas não estão ali como bônus, mas como pilares emocionais que costuram dor, crescimento e transformação.

Mas o ponto alto é “No Good Deed”, o grande solo de Elphaba. Uma das cenas mais aguardadas, ela se confirma como um dos maiores momentos musicais do cinema recente. Cynthia Erivo entrega uma performance vocal e dramática de tirar o fôlego — um ápice tão potente que já nasce clássico.

O elenco brilha


Cynthia Erivo encarna uma Elphaba madura, politizada e devastadoramente humana, enquanto Ariana Grande surpreende ao revelar vulnerabilidade, nuances e densidade emocional que elevam Glinda a um novo patamar.

Jonathan Bailey, agora com mais espaço dramático, surge como uma presença “surpreendentemente marcante”. Já Nessarose (Marissa Bode) e Boq (Ethan Slater) ganham camadas trágicas que ampliam o peso moral da narrativa.

Tudo isso é amarrado pela poderosa química entre Erivo e Grande, responsável por alguns dos momentos mais intensos e inesquecíveis da produção.

Efeitos especiais

Um destaque técnico é o uso de efeitos práticos em cenas icônicas, como as transformações envolvendo o Homem de Lata e o Espantalho. Maquiagem, próteses e caracterização manual criam texturas teatrais e tangíveis. Essa decisão aproxima o filme da linguagem do palco e reforça a sensação de que há vida real dentro da fantasia.

Um encerramento grandioso, emocional

O filme emociona, impressiona e encerra seu arco com força. Chu amplia significados do segundo ato, adicionando densidade política, diálogos mais afiados e críticas claras à manipulação institucional, às fake news e à construção artificial de heróis e vilões.

Oz se torna um espelho desconfortável — e brilhante — do nosso mundo. É um encerramento que honra o palco, expande o cinema e entrega um adeus agridoce, intenso e inesquecível. Um final verdadeiramente for good.

PS: Prestem atenção ao último frame do filme, todos com certeza irão amar a homenagem.

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