#ArteviewNaPoltrona Review de A Vida de Chuck (2025)

Fui esperando um Stephen King sombrio, mas encontrei poesia. A Vida de Chuck, novo filme de Mike Flanagan, parte de um conto do mestre do terror, mas não é sobre monstros ou sustos. É sobre a vida. Sobre a beleza que cabe até nos dias mais escuros. Não à toa, saiu premiado no Festival de Toronto com o voto do público.

O longa se divide em três atos — e começa de trás pra frente. Primeiro, o fim do mundo, onde todos parecem agradecer misteriosamente ao Chuck. Depois, um ato inesperado e cheio de alma: pessoas dançando no meio da rua, como se a vida ainda merecesse celebração em meio ao caos. E, por fim, a infância, onde entendemos de onde vem toda essa melancolia doce.

Tom Hiddleston aparece menos do que imaginamos, mas quando está em cena, é luz. Mark Hamill, como o avô Albie, entrega uma das atuações mais intensas do filme: dura e terna ao mesmo tempo. Já Chiwetel Ejiofor e Karen Gillan abrem a história com força e humanidade, tornando a queda do mundo algo incrivelmente próximo.

Não é um filme perfeito — o ritmo pode afastar quem busca emoção rápida, e o tom fabulesco às vezes pesa. Mas esse é o preço da ousadia: A Vida de Chuck não quer ser um “terror de Stephen King”, e sim uma carta aberta sobre existir. Um lembrete de que, no fundo, o fim do mundo sempre será também o começo de alguém.