#ArteviewNaPoltrona – Review Operação Vingança

Quarenta e quatro anos depois do lançamento do thriller canadense The Amateur (1981), a trama
volta aos cinemas com uma nova roupagem, agora estrelada por Rami Malek e dirigida por James
Hawes
.

Em Operação Vingança, acompanhamos uma historia de dor, espionagem e obsessão por justiça ou talvez por vingança. A linha entre uma coisa e outra e justamente o que o filme tenta explorar, ainda que com algumas falhas no caminho.


Charles Heller (Malek) e um criptografo da CIA que vê sua vida virar do avesso após perder sua esposa em um atentado terrorista em Londres. A agencia para a qual ele trabalha decide não agir por motivos burocráticos e políticos, o que faz com que Heller tome a frente da situação por conta própria. Não e um agente de campo, não tem treinamento para combate, mas movido pela dor e frustração, resolve ir ate o fim para encontrar os responsáveis e fazer justiça com as próprias mãos.

A premissa lembra a do filme original de 1981, estrelado por John Savage e baseado no livro de
Robert Littell.

Mas aqui o contexto e atualizado: o cenário e mais globalizado, a ameaça terrorista tem contornos contemporâneos e a abordagem busca ser mais intensa e emocional. A fotografia valoriza locações reais no Reino Unido, na Franca e na Turquia, contribuindo para dar uma atmosfera internacional a narrativa um acerto importante do longa.

Rami Malek entrega uma atuação solida, tentando equilibrar a fragilidade emocional do personagem com o peso da violência que ele se vê obrigado a cometer. Ainda assim, o roteiro nem sempre favorece esse equilíbrio: o drama pessoal se perde em cenas de ação e a questão da vingança é abordada de forma superficial.

O elenco de apoio tem nomes de peso como Laurence Fishburne, Rachel Brosnahan, Caitriona
Balfe
e Jon Bernthal. Mas todos acabam subutilizados, servindo mais como peças funcionais da
narrativa do que como personagens com real desenvolvimento.

Operação Vingança e um thriller eficiente em sua proposta: cria tensão, entrega boas sequencias de ação e provoca o espectador a pensar nos limites da justiça pessoal. Não e um filme revolucionário dentro do gênero, mas também não decepciona quem busca uma história de vingança com um protagonista fora do óbvio.

Para quem curte filmes de espionagem com uma pegada emocional, vale a sessão com o
entendimento de que nem tudo se resolve com logica, treinamento ou estratégia. Por vezes, o que
move alguém e apenas a dor. E o que resta, no fim, e só ela.

Operação Vingança já está disponível nos cinemas.