O Céu da Língua volta ao Espaço Unimed
Depois de passar por 60 cidades em dez países e reunir mais de 350 mil espectadores, “O Céu da Língua”, monólogo cômico estrelado por Gregorio Duvivier, volta a São Paulo para uma nova série de apresentações. O espetáculo ocupa o Espaço Unimed, entre os dias 7 e 11 de outubro de 2026, após retornar de uma turnê que percorreu os nove estados do Nordeste.
Escrito por Gregorio Duvivier e Luciana Paes, que também assina a direção, o espetáculo parte de uma pergunta aparentemente simples: quem tem medo de poesia? A resposta de Gregorio é transformada em uma investigação bem-humorada sobre a língua portuguesa, as palavras e a poesia que, muitas vezes, está presente no cotidiano sem que sequer percebamos.
A montagem já acumula importantes reconhecimentos desde a estreia. Gregorio Duvivier venceu o Prêmio Bibi Ferreira 2025 como Melhor Ator em Peça de Teatro, enquanto o espetáculo foi indicado nas categorias Melhor Peça de Teatro, Melhor Direção de Peça de Teatro e Desenho de Luz em Peça de Teatro. No Prêmio do Humor RJ 2026, venceu nas categorias Texto e Espetáculo e também recebeu indicações em Direção e Performance.
A produção ainda foi indicada ao 36º Prêmio Shell de Teatro, na categoria Iluminação, e conquistou o 20º Prêmio APTR de Teatro em Dramaturgia, além de indicações nas categorias Ator, Espetáculo, Produção de Teatro e Iluminação.
Uma comédia sobre as palavras
Em cena, Gregorio transforma sua relação pessoal com a linguagem em matéria-prima para o humor. Formado em Letras pela PUC-Rio e autor de três livros sobre poesia, o ator parte da ideia de que o gênero literário não precisa ser distante ou hermético. Pelo contrário: pode estar nas expressões mais corriqueiras, nas metáforas e até nas palavras que usamos sem pensar sobre sua origem ou significado.
“Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura.”
O espetáculo não é um recital e tampouco se propõe a uma sucessão de declamações de grandes nomes da literatura. A proposta se aproxima mais de um “stand-up comedy pegadinha”, como define Luciana Paes, em que o público é conduzido por um fluxo de pensamentos que mistura humor, linguagem e poesia.
Reformas ortográficas, mudanças de significado, expressões populares e palavras que ressurgem com novos sentidos entram na brincadeira. Termos como “irado”, “sinistro” e “brutal”, por exemplo, ganham outra camada quando observados a partir das transformações do vocabulário. O mesmo acontece com palavras que provocam estranhamento apenas pelo som ou com aquelas criações espontâneas que surgem no uso cotidiano da língua.
A dramaturgia também explora códigos que fazem parte da comunicação entre pessoas próximas, como aqueles entendidos quase exclusivamente por pais e filhos ou por casais. A partir dessas situações, Gregorio mostra como a linguagem é construída por acordos e como a poesia pode estar escondida justamente naquilo que parece mais banal.
Da língua ao palco
A direção de Luciana Paes marca sua estreia na função de diretora teatral. Fundadora da Cia. Hiato, a atriz divide a dramaturgia com Gregorio e conduz a montagem ao lado de uma equipe formada por Dina Salem Levy na cenografia, Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente nos figurinos e Ana Luzia de Simoni na iluminação.
No palco, o instrumentista Pedro Aune cria a ambientação musical com seu contrabaixo, enquanto Theodora Duvivier manipula as projeções exibidas ao fundo da cena.
A relação de Gregorio com a língua portuguesa também aproxima o espetáculo de sua experiência anterior ao lado do humorista português Ricardo Araújo Pereira em “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”, montagem baseada em improvisações e jogos com o idioma compartilhado pelos dois países.
Portugal aparece novamente em “O Céu da Língua”, com referências a poetas como Fernando Pessoa e Eugénio de Andrade, em uma investigação que parte da língua para falar também de comunicação, identidade e das maneiras como as palavras ajudam a construir relações.
Além das apresentações, o público poderá encontrar produtos exclusivos na lojinha oficial do espetáculo, disponível pelo canal de venda de ingressos e no teatro antes e depois das sessões. Entre os itens estão o livreto “O Céu da Língua”, o livro “Aos Pés da Letra”, da Companhia das Letras, ecobags, camisetas e diferentes versões do Caderno Azul, acompanhadas de lápis.
O Céu da Língua, com Gregorio Duvivier
Quando: de 7 a 11 de outubro de 2026
Espaço Unimed – Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda – São Paulo – SP
Ingressos: R$50 a R$200
Vendas online em https://www.ticket360.com.br/evento-composto/667/ingressos-para-gregorio-duvivier-o-ceu-da-lingua
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Duração: 85 minutos
Classificação: 12 anos
Capacidade: 3.214 lugares
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