Kaique lança “Me Chame Pelo Meu Nome”
O artista carioca Kaique apresenta seu primeiro álbum, Me Chame Pelo Meu Nome, projeto que transforma vivência, memória e futuro em um trabalho atravessado por pop, trap, funk e R&B. Com oito faixas, o disco reúne participações de Bixarte, Winnit e MC Lullu, reforçando o caráter coletivo e representativo da obra.
Mais do que um debut musical, o álbum surge como afirmação de identidade e permanência. A partir da própria experiência como homem trans, Kaique constrói um repertório direto e emocional que aborda violência, apagamento, afeto, desejo e o direito de existir para além das margens. O projeto dialoga com a música urbana contemporânea sem abrir mão da força autobiográfica.
A produção musical é assinada por Rodolfo Amorim, conhecido como RM no Beat, responsável por sucessos do funk nacional. Ao lado de artistas e compositores das periferias do Rio de Janeiro e de São Paulo, o cantor constrói uma sonoridade que mistura diferentes vertentes urbanas com narrativa pessoal intensa.
O álbum também ganhou reconhecimento internacional ainda em desenvolvimento. Kaique foi o único artista sul-americano selecionado pelo True Music Fund, iniciativa da marca Ballantine’s em parceria com a ONG She Said So, voltada ao apoio de artistas comprometidos com diversidade e impacto cultural.
Nascido na Praça Seca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, o artista construiu trajetória ligada à cena independente e à produção cultural, atuando como ator e produtor em coletivos como Transarte, Mulheres de Tebas, Grupo Eureka e Bacuri. Singles anteriores, como “Fim de Semana” e “Melzinho”, já indicavam uma identidade sonora que agora ganha forma completa no álbum.
Me Chame Pelo Meu Nome surge, assim, como um gesto artístico e político: um disco que olha para o passado, atravessa as marcas da memória e projeta um futuro onde corpos trans possam existir com dignidade, complexidade e liberdade dentro da música brasileira contemporânea.
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