Lucy (Dakota Johnson) é uma casamenteira moderna em Nova York. Mas seu negócio não é sobre paixão: é sobre performance. Cada encontro é uma negociação. Altura, idade, patrimônio, poder — tudo entra na conta. Até que o improvável acontece: ela se envolve com Harry (Pedro Pascal), um milionário estável, enquanto fantasmas do passado voltam à cena com John (Chris Evans), um amor menos perfeito, mas muito mais real.
Celine Song, a mesma diretora de Vidas Passadas, troca o tom melancólico pelo cínico e lança um olhar cortante para o amor no século 21. Não aquele amor de filme, mas o que cabe no Instagram, no Tinder e nas exigências intermináveis de quem acredita que felicidade é contrato com cláusula de renovação.
Amores Materialistas não é apenas uma comédia romântica, é uma autópsia do romantismo contemporâneo. Um “ensaio social”, um espelho cruel para a geração que calcula cada passo, cada parceiro — e cada centavo. Porque, no fundo, é sobre isso: quem ama mais, quem oferece mais? Beleza, status, saldo bancário?
Dakota Johnson acerta no tom: Lucy é sedutora, mas atravessada por inseguranças. Pedro Pascal e Chris Evans funcionam como extremos simbólicos: desejo versus estabilidade, liberdade versus segurança. Mas, como falta faísca.
Visualmente sofisticado, rodado em 35mm, o filme contrasta diálogos afiados com enquadramentos que exalam frieza. É bonito, mas nunca confortável.
📌 Amores Materialistas não é sobre finais felizes. É sobre planilhas que viram armadilhas, sobre pessoas que trocam sonhos por garantias. Porque, no fim, a pergunta que fica é simples:
Se você pudesse escolher entre amar e ganhar… quanto valeria o seu coração?
