#ArteviewNaPoltrona: Review do filme live-action Como Treinar o Seu Dragão (2025)

No live-action de Como Treinar o Seu Dragão (2025), reencontramos uma história que já conhecemos — mas agora com pele, carne e vento real. A trama de Soluço e Banguela (Toothless) continua a mesma: um jovem viking que deveria matar dragões… mas decide salvá-los. Só que desta vez, os dragões têm peso, textura, presença. E com isso, o que já era tocante na animação, ganha camadas inesperadas de humanidade.

Soluço, interpretado por Mason Thames, não é um herói convencional. Ele é magro, hesitante, falha com frequência. Mas justamente por isso, é fácil se ver nele. Seu olhar para Bengala não é de medo, mas de espelho. É como se ambos fossem criaturas deslocadas tentando sobreviver em mundos que exigem força bruta — quando tudo o que eles têm é curiosidade e afeto.

O filme traz de volta a presença imponente de Gerard Butler como Stoico, o pai de Soluço. A relação entre os dois, já central na animação, agora parece ainda mais densa. O silêncio entre pai e filho pesa. O abraço negado, o orgulho ferido, a tradição contra o afeto — tudo pulsa mais forte quando interpretado por atores de carne e osso.

E é nessa carne que o filme nos fere — e nos cura.

A fotografia aposta em tons naturais, céu aberto, mares violentos, vilarejos frios. Mas quando Soluço e Bengala voam pela primeira vez, a câmera parece flutuar junto. E é aí que o filme encontra seu ápice: no voo. Não só como espetáculo visual (que é deslumbrante), mas como metáfora. Porque o voo é liberdade, mas também é medo de cair. É entrega. É confiança.

John Powell retorna com sua trilha sonora, misturando temas clássicos com novas leituras que acompanham esse tom mais maduro da história. E mesmo que alguns críticos digam que o filme é “fiel demais” à animação, talvez isso seja o que o torna tão comovente: ele respeita o que já era sagrado e apenas o veste com nova pele.

O live-action de Como Treinar o Seu Dragão não quer reinventar — ele quer sentir novamente.
E, nesse processo, nos lembra de que o verdadeiro amadurecimento não vem da força…
mas da empatia.