#ArteviewNaPoltrona Review de Coyote vs. Acme (2026)
Coyote vs. Acme é aquele tipo de filme que eu termino de assistir e fico pensando: será que eu perdi alguma coisa? Porque eu entendo perfeitamente os motivos pelos quais tanta gente gostou, mas, para mim, ficou apenas no simpático.
A ideia é boa: depois de passar a vida inteira sendo vítima dos próprios produtos da ACME, o Coiote decide processar a empresa e, para isso, conta com a ajuda do advogado Kevin Avery, vivido por Will Forte. Do outro lado está Buddy Crane, o advogado da ACME interpretado por John Cena. A partir daí, o que poderia ser apenas mais uma sequência de perseguições entre o Coiote e o Papa-Léguas ganha uma história de tribunal que, curiosamente, foi justamente quando o filme começou a me interessar mais.
Will Forte e o Coiote funcionam muito bem juntos, porque os dois acabam sendo protagonistas dessa história. O Coiote continua com aquele azar de sempre, mas agora existe uma trama maior para acompanhar, enquanto Forte segura muito bem o lado humano da história. John Cena também está ótimo dentro do seu registro mais canastrão, fazendo aquele advogado convencido que ele sabe interpretar tão bem. É um personagem exagerado na medida certa e combina com o filme.
A mistura de animação com live-action também funciona. Gostei de ver o Coiote interagindo com os personagens reais e, principalmente, gostei de como os outros Looney Tunes aparecem. Eu gostei de rever esses personagens, mas não tive aquele momento de emoção, aquele sentimento de “meu Deus, estou vendo minha infância de novo”.
O filme também começa a perder um pouco de força justamente quando essa história deveria ficar mais interessante. Em determinado momento, eu comecei a sentir falta de uma explicação mais clara sobre tudo aquilo. O filme cria uma situação que parece pedir uma resposta maior, mas não entrega isso de uma maneira que tenha funcionado para mim. E aí o segundo e o terceiro atos acabam perdendo ritmo.
O filme quase foi engavetado pela própria Warner Bros., e acabou se tornando, na vida real, uma produção lutando contra uma grande corporação para conseguir chegar ao público. É praticamente a situação do filme acontecendo fora da tela. E talvez isso tenha ajudado a criar toda essa boa vontade em torno dele, porque é realmente uma história curiosa e até simbólica.
Também entendo a leitura de que Coyote vs. Acme fala sobre o poder das grandes corporações e sobre como uma empresa pode causar problemas, ter dinheiro para se defender e simplesmente seguir em frente. O processo contra a ACME transforma as antigas piadas do desenho em uma discussão sobre responsabilidade.
Eu não saí emocionado por rever os Looney Tunes, não achei o filme especialmente engraçado e ainda fiquei esperando algumas respostas que não vieram. É um filme bem feito, com bons atores, uma boa mistura de animação e live-action e uma ideia que poderia render mais.
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