#ArteviewNaPoltrona Review de Minha Melhor Amiga (2026)
Clara (Ingrid Guimarães) e Júlia (Mônica Martelli) são melhores amigas e vivem o auge dos seus 50 anos. Quando suas filhas adolescentes, Manu (Giulia Benite) e Isadora (Gabi Amaral), viajam para Portugal para fazer um intercâmbio de alguns meses, as duas precisam lidar com a saudade e com o vazio que fica em casa. Mas, em vez de simplesmente esperar pelas meninas, elas decidem também embarcar para a Europa. O que deveria ser uma viagem para se aproximar das filhas acaba se transformando em uma aventura própria, cheia de perrengues, descobertas, novos relacionamentos e situações que vão mudar a maneira como as duas enxergam suas próprias vidas.
E é aí que Minha Melhor Amiga começa a ficar realmente divertido. No início, confesso que tive aquela sensação de estar diante de mais uma comédia típica de Ingrid Guimarães. Algumas das primeiras piadas parecem familiares e o filme demora um pouco para encontrar seu ritmo. Mas quando Clara e Júlia chegam à Europa e passam a enfrentar sozinhas os imprevistos da viagem, a história muda completamente de energia.
Portugal e Espanha não estão ali apenas para deixar o filme bonito. As locações são lindas, mas também funcionam como parte da transformação das personagens. Longe da rotina, das responsabilidades e da vida que construíram no Brasil, Clara e Júlia se permitem experimentar coisas novas, conhecer pessoas, se meter em situações inesperadas e descobrir que ainda existe muita vida para ser vivida depois dos 50.
E se existe uma coisa que não dá para negar é a química entre Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. As duas funcionam muito bem juntas e, mais do que isso, fazem Clara e Júlia parecerem amigas de verdade. A amizade real entre as atrizes atravessa a tela e dá uma naturalidade enorme às personagens. Não parece apenas que estamos vendo duas atrizes interpretando melhores amigas. Parece que estamos acompanhando duas amigas que realmente se conhecem há anos, sabem exatamente como provocar uma à outra e também sabem quando é hora de oferecer colo.
As duas dividem muito bem o protagonismo e é difícil escolher quem rouba mais a cena. Ingrid tem momentos hilários, Mônica também, e a graça muitas vezes está justamente na reação de uma à outra. O filme entende isso e não tenta transformar nenhuma das duas em coadjuvante da outra.
O elenco português e espanhol também ajuda a colocar as personagens nesse novo universo, com participações de nomes como Albano Jerónimo, Ricardo Pereira, Ângelo Rodrigues e Alejandro Albarracín, que interpreta Ramón. E as próprias filhas, Manu e Isadora, têm importância dentro da história, já que a relação das mães com elas é uma das bases emocionais da viagem.
Mais do que uma comédia sobre duas mulheres viajando pela Europa, Minha Melhor Amiga fala sobre amizade, maternidade e recomeços. O filme mostra mulheres na casa dos 50 anos que não estão dispostas a aceitar que a vida já está definida. Elas ainda podem se apaixonar, mudar, fazer besteira, viajar, descobrir novos desejos e simplesmente se divertir. E o mais interessante é que o filme faz isso sem tratar os 50 anos como uma espécie de crise da velhice.
Minha Melhor Amiga é um filme sobre o poder da amizade, sobre aquela pessoa que está ao seu lado para tudo: viagens, conselhos, risadas, decisões questionáveis e, claro, os inevitáveis perrengues. E talvez seja justamente essa a sua maior qualidade: lembrar que, mesmo quando a vida muda, ter alguém para dividir tudo torna qualquer aventura muito melhor.
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