Por Léo Braga
Ursinho Pooh, o novo musical da Disney estreou na Broadway em 2021 e muito rapidamente chegou ao Brasil em uma réplica daquelas de encher os olhos de brilho. Em cartaz no Teatro Villa Lobos, em São Paulo, o infantil cumpre temporada até 24 de novembro e deixa as crianças (e adultos) apaixonadas pelo que veem em cena.
O cenário, que é lindo, é a primeira coisa que vemos, pois assim que entramos no teatro, damos de cara com ele. Apesar da beleza e riqueza de detalhes, ele parece um pouco apertado no palco do Villa Lobos, mas isso não compromete em nada a qualidade do que assistimos em seguida.

O pequeno Christopher Robin (Rodrigo Thomaz na sessão em que estive) vai para a escola e deixa seus amigos vivendo uma aventura da qual ele mesmo nunca terá conhecimento. Sendo o único personagem humano em cena, sua presença, mesmo que por poucos minutos em cena, é de uma delicadeza poética tão grande, pois é justamente a imaginação e fé desse menino nos seus brinquedos que faz com que cada um deles tenha vida para nos levar nessa linda história contada em 70 minutos.
Já os personagens de pelúcia são a maior alegria para os nossos olhos. Cada um deles é um boneco no estilo fantoche, mas com tamanhos que nos deixam de queixo caído! Todos interpretados com muito carinho por seus atores manipuladores.
O incrível Arthur Berges dá vida ao protagonista Pooh e entrega toda a fofura que o ursinho transmite em cada uma das falas e movimentos. Não consigo pensar em ninguém melhor para esse papel; e nem quero. Arthur se encaixa como uma luva. Além de um ótimo trabalho corporal que implica em ficar quase a peça inteira em cena meio “corcunda” para conseguir manipular o Urso e ainda estar pronto para a próxima sessão (haja fisioterapia!)

E falando em postura e desconforto, Bel Nobre (Leitão e Guru), que passa grande parte do tempo de joelhos, faz um trabalho impecável para entregar dois personagens que são duas fofuras e sem demonstrar em nenhum momento que aquilo ali pode ser mais difícil do que é para quem está na plateia.
Gui Leal, o multi artista, nos entrega um ió (Bizonho pros mais antigos) tão melancólico e querido quanto deve ser e um Sr. Coelho ranzinza e um Corujão com ar de intelectual na medida certa. Minha vontade era ver muito mais do Ió em cena, mas isso é algo que eu só poderia reclamar mesmo com o dramaturgo e diretor Jonathan Rockefeller. Além disso, seria delicioso ver mais da Sra. Can em cena, porque a meiguice que Carla Vasquez empresta à personagem é algo que demonstra bem todo o carinho de uma mãe pelo filho – e como é gostoso sentir esse carinho vindo do palco e tocando a gente na plateia!

Para finalizar com o elenco, acredito que a maior delícia para a criançada (e assumo que para mim também) é ver o Tigrão entrando em cena. A alegria do personagem é muito bem entregue para a plateia pelo ator Enrico Verta, que conseguiu me fazer sair do teatro com vontade de assistir às Aventuras de Tigrão em um texto com a mesma estética de encenação (Fica a dica, Sr Rockfeller).
Além do texto, o espetáculo conta com músicas que fizeram parte de trilhas dos filmes da turma do Pooh compostas por Sherman Brothers, A.A.Milne e tudo é muito bem versionado pelo já consagrado Victor Mühlethaler, que sempre mergulha nas obras com os olhos de quem quer deixar o texto mais próximo possível para os brasileiros – e consegue.
Ursinho Pooh é delicado ao mesmo tempo que é divertido e deixa um gosto de “quero mais”. Um musical que, como eu disse lá no início, enche os olhos da gente com tanta beleza. Mas o que mais me deixa feliz é ver que os artistas envolvidos com a obra provam que não importa se é uma franquia fundamentada em uma “bíblia canônica”, sempre há um jeito para uma brasilidade, para um “isso aqui também é nosso”, “isso aqui também é a gente!”.
