#ArteviewNaPoltrona Review de Verity (2026)

Verity é um filme que poderia ser muito melhor. A história tem todos os ingredientes para um bom thriller: uma escritora famosa, uma casa isolada, um marido misterioso, uma mulher aparentemente indefesa e um manuscrito que pode revelar um segredo absurdo. O problema é que o filme não consegue transformar tudo isso em tensão de verdade.

Lowen Ashleigh (Dakota Johnson) é uma escritora que está passando por dificuldades financeiras quando recebe uma proposta inesperada: assumir o trabalho de uma famosa autora, Verity Crawford (Anne Hathaway), que está impossibilitada de continuar escrevendo depois de sofrer um acidente. Lowen vai até a casa da família para pesquisar o material dos livros e ajudar a finalizar a série, mas acaba encontrando um manuscrito autobiográfico de Verity que revela acontecimentos perturbadores sobre sua família. Enquanto tenta descobrir se aquilo é uma confissão ou apenas ficção, Lowen se aproxima cada vez mais de Jeremy (Josh Hartnett), marido de Verity, e começa a perceber que talvez esteja muito mais envolvida naquela história do que imaginava.

Eu não li o livro da Colleen Hoover, então não vou fazer aquela comparação automática de que “o livro é melhor”. Mas, assistindo ao filme, fica muito claro que existe uma história muito mais perturbadora ali do que aquilo que chegou às telas. A adaptação até prende a atenção pelas reviravoltas e pela curiosidade de descobrir quem está falando a verdade, mas falta suspense. Para mim, não parece realmente um thriller na maior parte do tempo.

E aí temos Anne Hathaway, que está perfeita. Ela consegue mostrar várias versões de Verity, desde a escritora de sucesso, conhecida por histórias macabras, até a mulher aparentemente debilitada depois do acidente. O mais interessante é justamente perceber que existe alguma coisa escondida naquela personagem. Anne trabalha muito bem com os olhos, a voz e pequenos movimentos e consegue fazer a gente questionar o tempo inteiro o quanto daquela mulher indefesa é real. Mesmo quando o filme não ajuda muito, ela ajuda.

Já Josh Hartnett é bem mais ou menos. Jeremy deveria ser muito mais suspeito. Em vários momentos eu fiquei com a sensação de que ele simplesmente contratou Lowen para transar com ela, e isso deixa o personagem muito mais raso do que deveria. Faltou aquela dúvida de “esse cara está escondendo alguma coisa?”. Hartnett até mantém uma certa ambiguidade, mas a atuação é apática e fraca para um personagem que deveria carregar boa parte do mistério. Curiosamente, alguns críticos enxergaram justamente essa possibilidade de Jeremy estar escondendo um lado mais sombrio, mas para mim isso não funcionou tão bem.

E chegamos a Dakota Johnson. Meu Deus, por que insistem nessa mulher? Kkkkk. Eu realmente não consigo comprar Dakota como protagonista. Mais uma vez, achei a atuação sem emoção, com aquela mesma expressão durante boa parte do filme. Lowen deveria estar entrando em uma situação cada vez mais perturbadora, descobrindo coisas terríveis e se envolvendo com um homem que pode ou não ser perigoso. Eu precisava sentir isso nela. E não senti.

E isso também prejudica o romance entre Lowen e Jeremy. Eu não comprei muito essa relação. Para mim, parece que ele já tinha interesse nela e a contratação acaba funcionando quase como uma desculpa para aproximá-la.

Agora, o que realmente me segurou foi o manuscrito. Porque aí Verity finalmente fica interessante. A grande questão é: aquilo que Lowen encontra é uma confissão verdadeira ou uma obra de ficção escrita por Verity?

Eu sou #TeamManuscrito. Kkkkk. Para mim, ela realmente matou Harper. E acho que existe uma motivação muito clara nisso: Jeremy amava a filha mais do que amava Verity.

E a carta só deixa tudo ainda mais confuso. Lowen encontra a carta e é justamente aí que o filme consegue provocar aquela sensação de “meu Deus, e agora?”. Quem está falando a verdade? O manuscrito? A carta? Jeremy realmente sabia de tudo? Ou ele também está escondendo alguma coisa? Pelo menos nesse ponto, o filme conseguiu me deixar pensando depois que acabou.

O problema é que quase não existe tensão antes disso. E também achei que faltaram cenas mais pesadas. A história tem assassinato, manipulação, sexo, obsessão e um manuscrito perturbador. O filme poderia ter ido muito mais longe.

Gostei do filme, mas terminei pensando que Verity poderia ser muito melhor. E, sinceramente, sem a Dakota Johnson também ajudaria bastante.

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