“Mar de Girassóis” estreia no Rio

O Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, recebe entre os dias 22 de julho e 17 de setembro a estreia de Mar de Girassóis, primeiro texto teatral de Claudia Koogan Breitman. Com direção de Karen Acioly, o espetáculo reúne Rosane Gofman, Giuseppe Oristanio, Izabella Bicalho, Natasha Jascalevich, Felipe Leibold e Ciro A. Nogueira em uma trama que aborda corpo, padrões estéticos, memória, espiritualidade e as complexas relações familiares.

Inspirada pela dramaturgia de Anton Tchekhóv, a peça acompanha uma família de classe média alta que atravessa um momento de profundas transformações. O ponto de partida é o retorno de Gabriela (Natasha Jascalevich), artista visual que volta ao Brasil após viver em Nova York e passar por uma cirurgia bariátrica. A mudança física, no entanto, não resolve seus conflitos internos e acaba desencadeando reencontros, tensões e revelações que afetam todos ao seu redor.

Ao lado dela estão Eduardo (Giuseppe Oristanio), um médico que enfrenta a fragilidade após sobreviver a um infarto; Helena (Izabella Bicalho), ex-bailarina do Theatro Municipal que busca novos caminhos profissionais; Ana (Rosane Gofman), governanta que guarda importantes segredos familiares; além de Marcelo e Rafael, interpretados por Felipe Leibold e Ciro A. Nogueira, personagens que movimentam as relações afetivas e as escolhas dos protagonistas.

A dramaturga explica que a obra nasceu a partir de uma experiência pessoal, mas rapidamente ganhou contornos ficcionais.

“O texto apenas parte de um ponto autobiográfico, mas logo voa para a ficção. Eu queria falar de questões muito importantes para mim, como o corpo e as relações familiares. Existe uma romantização da magreza, como se a pessoa fosse emagrecer e todos os seus problemas fossem resolvidos automaticamente, mas não é bem assim. Eu já vivi em corpos diferentes ao longo da vida e escrevi a peça antes e depois da cirurgia, tendo a experiência de estar nesses dois corpos, assim como a personagem da filha”, afirma Claudia Koogan Breitman.

Ao longo da narrativa, Mar de Girassóis aborda temas contemporâneos como envelhecimento, pertencimento, identidade, conflitos entre gerações, espiritualidade, êxodo entre cidade e campo e a dificuldade de habitar o próprio corpo em uma sociedade marcada pela exposição constante e pelos padrões estéticos.

Para Karen Acioly, o corpo ocupa um papel central na construção dramatúrgica.

“O corpo é o centro da peça, não apenas como matéria física, mas como o lugar onde se inscrevem as grandes questões da existência. É nele que se manifesta a passagem do tempo e suas transformações inevitáveis. É também nele que se projetam os olhares sociais, as expectativas e os padrões que frequentemente procuram definir nosso valor. Em uma época mediada pelas redes sociais e pela lógica da exposição permanente, o olhar do outro parece, muitas vezes, sobrepor-se ao olhar que lançamos sobre nós mesmos”, analisa a diretora.

Reconhecida por trabalhos que dialogam com diferentes linguagens artísticas, Karen Acioly constrói uma encenação que combina teatro, música, vídeo, artes visuais e recursos digitais para criar uma experiência sensorial e poética. A equipe criativa conta ainda com cenografia de Bia Junqueira, figurinos de Paula Acioli, iluminação de Fernanda Mattos e assistência de direção de João de Mello.

A metáfora dos girassóis atravessa toda a montagem como símbolo de renovação, esperança e da capacidade humana de buscar a luz mesmo em momentos de vulnerabilidade. Entre reencontros, despedidas e sonhos interrompidos, Mar de Girassóis convida o público a refletir sobre as marcas que carregamos no corpo e na memória, mostrando que recomeçar também pode ser uma forma de florescer novamente.

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