#ArteviewNaPoltrona Review de “Águas Mortais” (2026)

Águas Mortais não traz nada de particularmente novo para o cinema de ação ou suspense. Na verdade, grande parte da diversão está justamente em pegar duas fórmulas que o público já conhece muito bem e colocá-las juntas: um filme de desastre aéreo e um filme de ataque de tubarões.

A história começa quando um voo comercial sobre o Oceano Pacífico sofre uma emergência em pleno ar. Após um incêndio a bordo, a tripulação tenta realizar um pouso de emergência, mas a situação sai do controle e a aeronave acaba caindo no mar. Os sobreviventes conseguem escapar da queda, mas logo descobrem que sobreviver ao acidente era apenas o começo do problema. Cercados pelos destroços do avião e esperando por resgate, eles passam a enfrentar uma ameaça ainda mais perigosa vinda das profundezas.

O filme não perde muito tempo tentando ser sofisticado. Assim que o avião cai, a história assume completamente sua proposta de sobrevivência e tensão. E, para ser justo, essa parte funciona melhor do que eu esperava.

A sequência do acidente aéreo é facilmente um dos pontos altos da produção. O diretor Renny Harlin sabe construir caos, e a cena da queda consegue transmitir desespero suficiente para prender a atenção. É aquele momento em que você esquece por alguns minutos todas as conveniências do roteiro e simplesmente acompanha a luta dos personagens para permanecer vivos.

Aaron Eckhart acaba sendo o grande responsável por manter o filme de pé. Seu Ben assume naturalmente o papel de líder do grupo e se torna a figura com quem o público mais se conecta. Não é uma atuação revolucionária, mas é exatamente o tipo de presença segura que um filme como esse precisa. Quando a história começa a exagerar ou a forçar algumas situações, é ele quem ajuda a manter tudo minimamente crível.

O problema é que o restante dos personagens recebe pouco desenvolvimento. Muitos passageiros parecem existir apenas para aumentar a contagem de vítimas ao longo da trama. Falta tempo para criar vínculos mais fortes com boa parte deles, o que reduz um pouco o impacto emocional de algumas perdas.

Também não dá para ignorar que o roteiro abraça diversas situações bastante improváveis. Mas, sinceramente, quem compra ingresso para assistir a um filme sobre sobreviventes de um acidente aéreo presos no oceano cercados por tubarões provavelmente já sabe que não está entrando em uma aula de realismo.

E talvez seja justamente aí que Águas Mortais encontre seu melhor caminho. O filme entende perfeitamente o tipo de experiência que quer oferecer. Ele não tenta reinventar o gênero, não busca grandes reflexões e nem pretende ser o novo Tubarão. Seu objetivo é entregar tensão, ação e algumas boas sequências de sobrevivência.

No fim, é exatamente o que parece ser: uma mistura de filme-catástrofe com filme de tubarão. Não vai entrar para a história do gênero, mas também não desperdiça seu potencial. É daqueles filmes que você assiste sabendo exatamente o que vai encontrar e, na maior parte do tempo, recebe exatamente isso.

Confesso que em alguns momentos o filme parece um manual do que não fazer durante um voo. Tem passageiro levando material inflamável, gente fumando dentro do avião e até casal resolvendo fazer sexo no banheiro da aeronave. Enquanto assistia, fiquei pensando que metade dos problemas daquele voo poderia ter sido evitada se as pessoas simplesmente respeitassem as regras básicas da companhia aérea.

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