#ArteviewNaPoltrona Review de “Mortal Kombat II” (2026)
Quando sentei para assistir Mortal Kombat II, já sabia exatamente o que estava procurando. Não era uma grande história sobre destino, honra ou conflitos existenciais. Era Mortal Kombat. Eu queria ver lutadores se enfrentando, golpes impossíveis, Fatalities absurdos e personagens clássicos finalmente ganhando espaço na tela.
E o filme entrega boa parte disso.
A trama coloca os guerreiros da Terra diante do torneio que os fãs esperavam desde o filme anterior. Agora, o confronto contra Shao Kahn finalmente acontece, reunindo personagens como Liu Kang, Kitana, Sonya, Scorpion, Raiden e a grande novidade da sequência: Johnny Cage, interpretado por Karl Urban.
Talvez seja justamente Johnny Cage quem injete a energia que faltava ao primeiro longa. Karl Urban entende perfeitamente o tom do personagem. Ele é arrogante, engraçado, exagerado e parece ter saído diretamente dos jogos. Sempre que aparece em cena, o filme ganha vida.
As cenas de luta também são melhores. Existe mais variedade, mais brutalidade e mais personalidade em cada combate. Os Fatalities aparecem sem vergonha de existir, assumindo o absurdo que sempre fez parte da franquia. Quando o filme para de tentar contar uma história e simplesmente deixa os personagens lutarem, ele encontra seus melhores momentos.
O problema é justamente o que acontece entre uma luta e outra.
O roteiro parece existir apenas para conectar cenas de ação. Muitos personagens entram e saem da narrativa sem desenvolvimento real. Conflitos importantes são resolvidos rápido demais e algumas decisões parecem acontecer apenas porque o filme precisa seguir para a próxima batalha.
Em vários momentos, tive a sensação de estar assistindo a uma longa sequência de cenas pós-créditos dos jogos, e não a uma história completa.
Nem mesmo personagens importantes conseguem escapar disso. Há muitos rostos conhecidos, muitas referências para os fãs e muita preocupação em agradar quem conhece a franquia. Mas falta tempo para que essas figuras existam além de suas funções dentro do torneio.
Isso faz com que o filme funcione muito melhor como espetáculo do que como narrativa.
E talvez seja aí que eu me afaste de parte do entusiasmo que cercou o lançamento.
Não achei o filme ruim. As lutas são divertidas. O visual é mais interessante que o do longa anterior. Johnny Cage é uma ótima adição. Kitana ganha momentos relevantes. O torneio finalmente acontece. Tudo isso funciona.
Mas também senti que existe uma enorme diferença entre fazer um bom filme de ação e simplesmente empilhar cenas de combate.
Enquanto as coreografias mostram evolução, a história parece continuar presa no mesmo lugar.
No fim, Mortal Kombat II é exatamente aquilo que promete ser: uma sequência mais barulhenta, mais sangrenta e mais fiel aos jogos.
Para muitos fãs, isso será suficiente.
Para mim, ficou a sensação de que as lutas venceram o combate, mas o roteiro perdeu por Fatality.
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