#ArteviewNaPoltrona Review de “Eu & Você na Toscana” (2026)
Eu & Você na Toscana não tenta reinventar a comédia romântica. E talvez esse seja justamente o seu maior acerto.
A história acompanha Anna, personagem de Halle Bailey, uma jovem que abandonou o sonho de se tornar chef de cozinha após a morte da mãe e passou a viver sem muita direção. Depois de perder o emprego e a casa onde morava, ela conhece Matteo (Lorenzo de Moor) , um italiano que comenta sobre a vila vazia de sua família na Toscana. Impulsivamente, Anna decide viajar para a Itália. O problema é que, quando a família aparece de surpresa, ela acaba presa em uma mentira e todos passam a acreditar que é a noiva do rapaz. Como se isso já não fosse complicado o bastante, surge Michael, o primo de Matteo, e a situação fica ainda mais confusa.
A premissa é absurda. E o filme sabe disso. Em vez de tentar convencer o público de que tudo aquilo faz sentido, ele abraça o exagero e segue em frente. É aquele tipo de comédia romântica que parece saída dos anos 90 e dos anos 2000, quando a gente aceitava situações improváveis porque queria apenas acompanhar personagens carismáticos se apaixonando em lugares bonitos.
E funciona. Grande parte desse mérito está na química entre Halle Bailey e Regé-Jean Page. Os dois têm uma facilidade enorme para dividir cena. Existe leveza, humor e uma conexão muito natural entre os personagens. Mesmo quando o roteiro cai em alguns clichês já conhecidos do gênero, os dois conseguem manter o interesse da história.
Halle Bailey entrega uma Anna impulsiva, atrapalhada e cheia de boas intenções. É fácil entender por que ela toma decisões questionáveis, mesmo quando a gente sabe que elas vão criar problemas. Já Regé-Jean Page faz exatamente aquilo que os fãs de Bridgerton esperam dele: cria um protagonista romântico carismático, elegante e difícil de não gostar.
Mas preciso destacar uma pessoa que muitas críticas quase ignoraram: Marco Calvani. Seu Lorenzo acaba sendo uma das presenças mais divertidas do filme. Como taxista, guia turístico improvisado e praticamente um conselheiro não oficial de Anna, ele funciona como a voz da razão em meio ao caos. Lorenzo sabe que a situação está saindo do controle, sabe que Anna deveria contar a verdade, mas ao mesmo tempo embarca naquela loucura porque entende que existe algo especial acontecendo. Muitas das cenas mais engraçadas do filme passam por ele, e a naturalidade com que Marco Calvani interpreta o personagem faz parecer que ele sempre pertenceu àquela história.
Também ajuda o fato de a Toscana ser praticamente um personagem do filme. Os vinhedos, os restaurantes familiares, as pequenas ruas e as paisagens italianas aparecem o tempo todo. Em alguns momentos parece até propaganda de turismo. E sinceramente? Eu não me importei nem um pouco.
Outro detalhe que ajuda muito a vender esse romance é a escolha de “Let Me Love You“, de Mario. A música aparece em momentos importantes da relação entre Anna e Michael e acaba funcionando quase como um tema do casal. É daquelas canções que parecem conversar diretamente com a história que estamos acompanhando. Cada vez que ela surge, a sensação é de que o filme está lembrando ao público o que realmente está em jogo ali: duas pessoas tentando se permitir amar novamente apesar das inseguranças, dos segredos e dos caminhos tortos que as levaram até a Toscana. É uma escolha simples, mas extremamente eficiente, e ajuda a dar ainda mais identidade emocional ao romance.
Claro, a história segue caminhos bastante previsíveis e dificilmente vai surpreender quem já assistiu muitas comédias românticas. Alguns conflitos são resolvidos rápido demais e várias situações dependem da boa vontade do público para funcionar.
Mas Eu & Você na Toscana nunca parece preocupado com isso. O objetivo aqui é fazer o espectador sorrir, torcer pelo casal e passar duas horas em uma Itália ensolarada ao lado de personagens simpáticos.
Não é uma revolução para o gênero. Não vai mudar a história das comédias românticas. Mas é exatamente o tipo de filme que lembra por que tanta gente ainda gosta delas.
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