Veja a Programação de janeiro do Centro Cultural iBT

O Centro Cultural do Instituto Brasileiro de Teatro (iBT) inicia 2026 reafirmando seu compromisso com a diversidade, a arte e a ocupação cultural do centro de São Paulo. Após o recesso, o espaço retoma suas atividades em janeiro com uma programação especial dedicada ao Mês da Visibilidade Trans, reunindo poesia, música, contação de histórias, oficinas e encontros políticos que atravessam arte, corpo e afeto.

A agenda propõe um início de ano marcado pela celebração e pela afirmação de existências trans e dissidentes, convocando o público a ocupar o espaço como território de convivência, diálogo e transformação. Para o diretor-executivo do iBT, Thiago Albanese, a retomada simboliza um novo ciclo: um convite à criação coletiva e à valorização de múltiplas vozes e linguagens.

Entre os destaques está o Palco Palavra, eixo dedicado à força da palavra falada, que promove encontros entre poesia, canção, cena e freestyle de conhecimento. Ao longo do mês, o projeto reúne artistas de diferentes gerações e trajetórias, transformando o dizer em gesto político, expressão artística e experiência compartilhada.

Na música, o Encruzas ocupa o Palco Praça com o Pagode da Dandá, primeiro grupo de samba criado por uma travesty no Brasil. Liderado por Dandá Costa, o projeto cruza ancestralidade, resistência negra e LGBTQIAPN+ em apresentações que reinventam repertórios do samba, do pagode e da música popular brasileira, sempre em diálogo com convidados.

Voltada à infância, a programação Nossa Leitura aposta na imaginação como ferramenta de encontro. Com contação de histórias, teatro, música e criação coletiva ao vivo, os espetáculos convidam crianças e famílias a participar ativamente da construção das narrativas, reforçando o papel da arte na formação sensível desde cedo.

Dentro da programação voltada à infância, a Trupe DuNavô assume papel central no eixo Nossa Leitura com o espetáculo O Livro do Mundo Inteiro. Em cena, palhaças e palhaços convidam o público a participar ativamente da criação de histórias, transformando cada apresentação em uma experiência única e irrepetível. A partir das sugestões da plateia, a trupe constrói narrativas ao vivo, reforçando o encontro como essência do teatro e estimulando a imaginação, a escuta e o pertencimento desde a infância.

Além das atividades artísticas, o iBT também recebeu, em 18 de janeiro, a Assembleia de Construção da 3ª Marcha Transmasculina, encontro aberto ao público que articula política, cultura e resistência. A iniciativa reforça o papel do centro cultural como espaço de escuta, mobilização e fortalecimento dos movimentos sociais.

Com uma programação que atravessa celebração e consciência crítica, o Centro Cultural iBT abre 2026 como espaço de portas abertas para a pluralidade de corpos, histórias e imaginários — reafirmando a arte como prática viva, coletiva e transformadora.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DE JANEIRO DO CENTRO CULTURAL iBT

CATEGORIA: PALAVRA

Título: PALCO PALAVRA
Data: 16, 23 e 30/jan, às 20h
Duração: 90 minutos
Local: Palco Praça, térreo do Centro Cultural iBT (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277)
Classificação: Livre

Sinopse: Palco Palavra é o eixo dedicado à força da palavra dita, em que poesia, voz e presença se encontram para criar experiências diretas e cheias de significado. É o espaço em que o dizer vira ação e a linguagem se torna gesto, encontro e movimento coletivo. Em janeiro, o eixo recebe três encontros que exploram diferentes modos de performance da palavra: diálogos entre poesia falada, canção e cena; a presença de três gerações da literatura oral e da cultura negra urbana; e a Batalha Dominação, que afirma identidades e cria redes por meio do freestyle de conhecimento.

Artistas: Carol Dall Farra + Marília Lopez + Mel Duarte
Serviço: 16/jan, às 20h
Classificação: Livre

Sinopse: Carol Dall Farra, Marília Lopez e Mel Duarte conduzem um encontro onde poesia falada, canção e performance entrelaçam trajetórias artísticas para criar um território sensível de escuta e presença. Vozes que vêm de diferentes caminhos constroem um mesmo gesto: transformar som e silêncio em experiência compartilhada, fazendo da arte um espaço de encontro, cura e resistência.

Artistas: APÊAGÁ + Matriarcak + Sharylaine
Serviço: 23/jan, às 20h
Classificação: Livre
Sinopse: Três gerações femininas da palavra em performance se encontram para celebrar a força da literatura oral e da cultura negra urbana. APÊAGÁ e Matriarcak, vozes potentes da poesia falada contemporânea, dividem o espaço com Sharylaine, artista pioneira do rap nacional e referência histórica do hip hop brasileiro. Em uma apresentação marcada por muita identidade, resistência, territorialidade e ancestralidade, as artistas constroem um espaço de memória viva onde a palavra se afirma como gesto político, expressão artística e ferramenta de transformação.

Artista: Batalha Dominação
Serviço: 30/jan, às 20h
Classificação: Livre

Sinopse: A Batalha Dominação é uma batalha de freestyle de conhecimento, voltada para o protagonismo de mulheres, trans masculinos e pessoas não binárias. É um ponto de encontro artístico e político, onde a palavra, a rima e a poesia assumem papel central na afirmação de identidades, na criação de redes de apoio e na construção de narrativas que resistem às exclusões sociais.

CATEGORIA: MÚSICA

Título: ENCRUZAS
Artista: Pagode da Dandá convida
Data: 18 e 25/jan, às 17h
Duração: 120 minutos
Local: Palco Praça, térreo do Centro Cultural iBT (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277)
Classificação: Livre

Sinopse: Encruzas é o eixo em que encontros sonoros se misturam e a música se reinventa ao vivo. Em janeiro, quem ocupa esse lugar é o Pagode da Dandá, um samba de Jimbanda, nome dado, em Angola e Congo, a importantes curandeiras. Sua expressão de gênero se assemelhava ao que hoje compreendemos como travestys ou mulheres trans. Durante a afrodiáspora, suas funções de cura, nobreza e encanto foram sendo apagadas e sua conduta de gênero amplamente perseguida. Xica Manicongo é uma delas, a primeira jimbanda mapeada na história brasileira, registrada pelos arquivos da inquisição no Brasil do fim do século XVI e celebrada pela Paraíso da Tuiuti na Sapucaí em 2025. O Pagode da Dandá é o primeiro grupo de samba criado por uma travesty no Brasil. Dandá Costa é uma multiartista trans e amefricana com mais de 10 anos de carreira como cantora, compositora, diretora musical, educadora e performer. Expressão de resistência negra e LGBTQIAPN+, o grupo reinventa um repertório plural que passeia por clássicos do samba, pérolas do pagode 90, sucessos do agora e novidades autorais.

Artistas: Pagode da Dandá convida Ayô Tupinambá
Serviço: 18/jan, às 17h
Classificação: Livre

Sinopse: Repertório musical que dialoga com suas experiências de vida enquanto travesti preta e indígena em retomada, incorporando elementos de sua ancestralidade, espiritualidade e identidade na música.

Artistas: Pagode da Dandá convida Thuan
Serviço: 25/jan, às 17h
Classificação: Livre

Sinopse: Repertório musical que articula uma musicalidade de terreiro como fundamento e onde reelabora a música popular brasileira e sonoridades afroreferenciadas.

CATEGORIA: NOSSA LEITURA

Data: 17, 24 e 31/jan, às 15h
Duração: 60 minutos
Local: Palco Praça, térreo do Centro Cultural iBT (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277)
Classificação: Livre

Sinopse: Nossa Leitura é o eixo curatorial dedicado à infância, um espaço onde histórias, livros e imaginação criam laços entre crianças, famílias e o universo da literatura. Aqui, a contação vira encontro: palavras ganham movimento, personagens nascem ao vivo e o público participa da criação. Em janeiro, esse encontro ganha novas formas: a Trupe DuNavô convida o público a criar histórias ao vivo em “O Livro do Mundo Inteiro”, enquanto a Cia. SóPapo mistura teatro, música e brincadeiras para falar de amizade, diversidade e sentimento. Histórias que nascem no agora e seguem acompanhando cada criança para sempre.

Projeto: O Livro do Mundo Inteiro

Artista: Trupe DuNavô
Direção e composições: Trupe DuNavô
Elenco: Gabi Zannola, Gis Pereira, Renato Ribeiro e Vinicius Ramos
Figurino: Estela Zanola e Trupe DuNavô
Cenário: Vinicius Ramos
Serviço: 17 e 24/jan, às 15h
Classificação: Livre

Sinopse: Uma trupe de palhaços chega anunciando que veio escrever uma nova história no seu grande livro. As palhaças e palhaços pedem à plateia que os ajude a iniciar uma história e encorajam as pessoas a participar da escrita. O público dá uma ideia e a trupe recria em cena, construindo uma nova história diante do espectador. Cada apresentação do livro é uma escrita nova a ser realizada. Mudam-se as pessoas, o lugar, as referências… muda-se tudo! O livro do mundo inteiro é um livro feito pra ser vivo e ao vivo. Tudo é construído com o público naquele exato momento do encontro.

Projeto: Livro em Cena – Chupim

Artista: Cia. SóPapo
Contador de histórias e diretor: Marcos Seixas
Contador de histórias, cenografista e produtor responsável: Bruno Fonseca
Cantora: Gleici Oliveira
Percussionista: Bakhy
Sonoplasta e músico: Daniel Pauferro
Produção: Thais Lucena
Assistente de produção: Helena Lima
Serviço: 31/jan, às 15h
Classificação: Livre

Sinopse: A Cia. SóPapo apresenta o projeto “Livro em Cena: Chupim”, de Itamar Vieira Junior, história vista pelos olhos de Julim, que se identifica com o pássaro tratado como praga nos arrozais. Com teatro, música, brincadeiras e objetos, a contação aborda infância, trabalho, natureza e dignidade, convidando crianças e adultos a participar ativamente e a ressignificar o cuidado com o outro e com a terra.

CATEGORIA: OFICINA

Título: DRAMATURGIA DO RISO
Artista: Gabriel Guimard
Inscrições: 12 a 25/jan
Realização: 02 a 06/fev
Sinopse: Com o palhaço, mímico, diretor, professor e pesquisador Gabriel Guimard, a Oficina “Dramaturgia do Riso” é uma imersão criativa e prática no universo da comicidade. Seu objetivo é investigar as técnicas, ferramentas e fundamentos que sustentam a criação de números cômicos, a base da dramaturgia do riso em cena. A partir de uma introdução teórica aliada a exercícios práticos, processos de improvisação individual e coletiva, e análise e recriação de números clássicos e contemporâneos, os participantes desenvolverão suas habilidades cênicas, ampliando sua capacidade de construir cenas cômicas a partir do improviso e do estudo consciente das estruturas da comicidade.

CATEGORIA:  iBT RECEBE

Título: ASSEMBLEIA DE CONSTRUÇÃO DA 3ª MARCHA TRANSMASCULINA

Data: 18/jan, das 14h às 22h
Entrada gratuita, evento aberto ao público

Sinopse: A 3ª Marcha Transmasculina começa a ser construída de forma coletiva, popular e radicalmente política. No dia 18 de janeiro de 2026, o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades – Núcleo São Paulo (IBRAT-SP) realiza a Assembleia de Construção da 3ª Marcha Transmasculina, um espaço central de decisão, organização e fortalecimento do movimento transmasculino enquanto sujeito político coletivo.

A Marcha Transmasculina surge da necessidade de enfrentar a invisibilização, a violência e a negação sistemática de direitos vivenciadas por pessoas transmasculinas no Brasil. Em um país que lidera índices de violência contra pessoas trans, a marcha se afirma como uma estratégia política de sobrevivência, visibilidade e produção de direitos, ocupando o espaço público como território de disputa e afirmação de existência.

Organizada pelo IBRAT-SP desde sua primeira edição, a Marcha é uma iniciativa idealizada por Kyem Ferreiro e Ravi Spreizner, homens trans, ativistas e atuais coordenadores do núcleo. Mais do que um ato simbólico, trata-se de uma ferramenta concreta de mobilização política, inserida no campo dos movimentos sociais e das lutas da classe trabalhadora.

A força dessa construção coletiva já se expressou nas ruas: a 1ª Marcha Transmasculina reuniu mais de 10 mil pessoas, e a 2ª edição contou com cerca de 7 mil participantes, consolidando o evento como uma das maiores mobilizações transmasculinas do mundo.

A assembleia é parte fundamental desse processo organizativo. É nesse espaço que a marcha é construída de forma prática e democrática, a partir da escuta coletiva e da participação ativa da comunidade, com a formação de comitês de trabalho autogestionados e horizontais, responsáveis pelos rumos do protesto em diferentes frentes.

Aberto ao público, o encontro contará com uma programação diversa, incluindo exibição de curta-metragem, apresentação do panorama geral da marcha — com balanço do que já foi realizado e dos próximos passos —, além de atividades formativas e apresentações artísticas que articulam política, cultura e resistência.

Inspirada em experiências históricas da classe trabalhadora e de movimentos sociais que recusam a mercantilização da luta, a Marcha Transmasculina não aceita patrocínio de marcas que querem comprar o evento. Essa decisão reafirma seu compromisso com a autonomia política, a organização popular e a construção coletiva de um movimento que não se subordina a interesses de mercado.

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