#ArteviewNaPoltrona Review de Perrengue Fashion (2025)
Ingrid Guimarães volta às telas em Perrengue Fashion, dirigido por Flávia Lacerda, com uma comédia que parece leve — e é —, mas que também sabe cutucar onde dói: na relação entre aparência e essência, fama e afeto.
Paula Pratta (Ingrid Guimarães) é uma influenciadora de moda acostumada com luzes, câmeras e filtros. No auge da sua carreira, ela aceita estrelar uma campanha de Dia das Mães ao lado do filho, Cadu (Filipe Bragança). Mas o que parecia ser mais um job perfeito vira caos quando o rapaz decide abandonar o projeto para viver em uma ecovila sustentável na Amazônia.
É a partir dessa fuga que o filme encontra seu coração. Paula parte atrás do filho, e o choque entre o mundo fashion e o universo simples e comunitário da floresta se transforma em comédia, sim — mas também em espelho. Entre saltos, lama e verdades desconfortáveis, ela descobre que desconectar pode ser o maior luxo de todos.
A direção de Flávia Lacerda aposta em ritmo e leveza, sem abrir mão de um olhar emocional. A fotografia explora bem o contraste entre o brilho da cidade e a natureza exuberante da Amazônia, reforçando a transformação interior da protagonista. É uma comédia visualmente charmosa, colorida e quente — um retrato de autodescoberta disfarçado de “perrengue”.
Ingrid Guimarães entrega aqui uma de suas performances mais humanas. O humor continua afiado, mas há algo novo — um tipo de vulnerabilidade que faz a gente rir e se comover na mesma cena. A química com Filipe Bragança funciona: ele traz uma doçura serena que equilibra o caos da mãe, e as cenas entre os dois têm verdade.
Outro destaque é Rafa Chalub, que injeta frescor e carisma, tornando as sequências na ecovila mais dinâmicas e espontâneas. Késia Estácio também se sobressai com presença firme e acolhedora, trazendo representatividade e força cênica ao elenco.
No fim, Perrengue Fashion é sobre o reencontro entre mãe e filho, mas também sobre reconectar com o que é real. É uma comédia que diverte, emociona e, entre uma gargalhada e outra, deixa um lembrete: às vezes, o maior perrengue é admitir que a gente precisa mudar.
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