#ArteviewNaPoltrona Review de A Última Casa (2026)

A Última Casa, novo suspense da Netflix estrelado por Wagner Moura e Greta Lee, parte de uma daquelas premissas que já despertam curiosidade: uma família fica presa dentro da própria casa sem conseguir sair por portas ou janelas, enquanto alguma coisa do lado de fora parece ter tomado conta do mundo.

Sem saber exatamente o que está acontecendo, Jason (Wagner Moura), sua esposa e os filhos precisam encontrar formas de sobreviver, lidar com a falta de comida e tentar entender por que aquela casa se transformou em uma prisão.

E a ideia funciona. O filme demora um pouco para revelar o que está acontecendo, mas justamente esse mistério me segurou até o fim. Queremos descobrir o que existe do lado de fora, por que eles não conseguem sair e, principalmente, o que são aquelas criaturas que começam a aparecer. A casa, que deveria representar segurança, passa a ser o único lugar onde eles podem sobreviver, mas também o lugar de onde não conseguem escapar.

Wagner Moura é o grande destaque do filme e consegue carregar muito bem o protagonismo. Jason é aquele pai que tenta manter a família unida enquanto vê tudo ao seu redor mudar, e Wagner consegue transmitir o desgaste de alguém que passa anos tentando proteger os filhos sem saber se existe realmente um futuro para eles. Greta Lee também funciona muito bem ao lado dele. Os dois convencem como casal e como família, embora a personagem dela seja um pouco irregular, principalmente por ser histérica em alguns momentos em que não precisava e, em outros, justamente quando uma reação mais forte seria necessária, parecer mais contida.

O filme também acerta ao mostrar que não estamos acompanhando apenas alguns dias de isolamento. São cinco anos. E esse tempo muda completamente aquela família. As crianças crescem, os relacionamentos se desgastam e começam a surgir conflitos que mostram o quanto aquela situação afetou cada um deles. O problema é que é justamente nessa terceira parte, quando os filhos já estão maiores, que A Última Casa começa a ficar um pouco chato. As discussões familiares, principalmente as reclamações do filho adolescente contra o pai, ocupam espaço demais e fazem o suspense perder um pouco da força que tinha conseguido construir.

Ainda assim, gosto muito do que existe por trás daquela situação. O filme sugere que a humanidade passou dos limites e que aquilo seria uma espécie de correção da própria natureza. É quase como se o planeta estivesse respondendo a tudo aquilo que fizemos com ele. A mensagem é simples, mas funciona: não mexa com a natureza porque ela vai cobrar de volta. E existe ainda a possibilidade de que aquilo já tenha acontecido antes e que nós simplesmente tenhamos esquecido, deixando aberta a ideia de que a história pode se repetir.

O problema é que, quando chega a hora de explicar exatamente o que são aquelas criaturas e o que elas querem, o filme não é tão claro quanto deveria. Eu entendi a mensagem e a relação com a natureza, mas fiquei me perguntando: afinal, elas queriam aquela casa para elas? Estavam retomando aquele espaço? Era uma espécie de vingança? A metáfora funciona melhor do que a explicação dentro da própria história.

Visualmente, porém, A Última Casa funciona muito bem. Os efeitos e as criaturas não me tiraram do filme e ajudam a criar aquela sensação de que existe alguma coisa muito maior acontecendo do lado de fora.

O desfecho também é relativamente previsível e, quando finalmente termina, ainda deixa a família seguindo de barco em busca de outros sobreviventes. E aí vem aquela pergunta que a gente já conhece: precisava de continuação?

Não acho que A Última Casa seja um filme ruim. Mas também entendo as críticas negativas que o filme recebeu. A história começa muito bem e vai perdendo força conforme avança, principalmente depois do salto de cinco anos.

No fim, A Última Casa é um suspense de sobrevivência com uma boa ideia, uma mensagem ambiental bastante clara e uma ótima atuação de Wagner Moura. Não é perfeito e poderia ter entregado muito mais no final, mas conseguiu me prender até o fim.

Não mexa com a natureza. Uma hora ela cobra a conta.

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