#ArteviewNaPoltrona Review de Se Eu Fosse Você 3 (2026)

Vinte anos depois, a franquia Se Eu Fosse Você está de volta, agora com Cléo Pires e Rafael Infante no centro da confusão. Bia e Aquiles são casados, mas uma discussão acaba provocando a famosa troca de corpos, obrigando os dois a enxergar a relação por outra perspectiva. Enquanto isso, Cláudio e Helena, personagens de Tony Ramos e Glória Pires, estão fora de cena em uma segunda lua de mel.

Confesso que a troca de corpos, sozinha, já não tem tanta graça como antes. A fórmula é conhecida e, desta vez, não me parece o principal atrativo do filme. Ainda assim, Cléo Pires convence como Bia, e ela e Rafael Infante têm química. Rafael é engraçado, mas algumas situações poderiam ser mais divertidas e aproveitar melhor o potencial da comédia.

O humor também rende boas risadas. E a comédia encontra seu espaço, mesmo sem depender tanto da novidade da troca de corpos.

Mais do que a confusão da troca de corpos, o filme acerta ao mostrar como Bia e Aquiles passam a compreender melhor as dificuldades um do outro. Ao viverem essa experiência, eles conseguem enxergar os problemas do casamento por outra perspectiva e entender que nem sempre é fácil equilibrar as próprias escolhas com a vida a dois. Para Bia, fica também a percepção de que carreira e amor não precisam ser caminhos opostos. Ela pode investir nos próprios sonhos sem abrir mão da pessoa que ama. É uma mensagem importante e que dá mais sentido à sequência.

A direção de Anita Barbosa dá ao filme um ar atual, e a presença da filha adolescente do casal ajuda a trazer frescor à história. O roteiro funciona e aborda questões que fazem sentido hoje, especialmente quando o assunto é relacionamento, empatia e a dificuldade de se colocar no lugar do outro.

Claro que sentimos falta de Tony Ramos e Glória Pires. A franquia tem uma ligação muito forte com os dois, e vê-los novamente seria um dos grandes atrativos. Mesmo assim, Cléo e Rafael conseguem assumir o protagonismo sem deixar o filme na mão. E o final me agradou: é sólido e fecha a história de uma maneira satisfatória.

Se Eu Fosse Você 3 talvez não tenha a mesma graça da novidade que marcou os primeiros filmes, mas é uma continuação que funciona e conversa com o presente. Saí satisfeito, e isso conta bastante. Às vezes, a gente não precisa reinventar tudo. Só precisa encontrar um bom motivo para voltar.

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