“O Neguinho da Beija-Flor – Musical” no RJ
A trajetória de um dos maiores intérpretes da história do carnaval carioca chega aos palcos em “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”, espetáculo que estreia no dia 10 de setembro de 2026, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Com direção de Luiz Antonio Pilar e texto de Aydano André Motta, a montagem apresenta uma história de música, resistência, perdas, conquistas e amor pelo samba.
No papel do protagonista está o ator Izak Dahora, acompanhado por um elenco de dez atores-cantores: Bruno Quixotte, Celso Luz, Ella Fernandes, Leandro Melo, Lu Vieira, Maria Vitória Rodrigues, Matheus Dias, Pedro Barreto, Thalita Floriano e Verônica Bonfim. O espetáculo tem patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Cultural, e foi selecionado por edital público.
Uma vida dedicada ao samba
Depois de 50 anos ininterruptos como intérprete oficial da Beija-Flor de Nilópolis, Neguinho da Beija-Flor encerrou sua trajetória como cantor da escola em 2025. Ao longo desse período, participou de todos os desfiles da agremiação desde sua estreia oficial na avenida, em 1976, e esteve à frente dos 15 títulos conquistados pela Beija-Flor.
Nascido Luiz Antônio Feliciano Marcondes, em 29 de junho de 1949, em Vila Isabel, o artista passou a infância em situação de extrema pobreza em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, antes de construir uma carreira que ultrapassaria os limites do carnaval.
A história também passa pela criação de uma das marcas sonoras mais conhecidas da Marquês de Sapucaí: o grito “Olha a Beija-Flor aí, gente!”, criado pelo intérprete e posteriormente incorporado por cantores de outras escolas de samba.
Além dos cinco Estandartes de Ouro como Melhor Intérprete e um sexto na categoria Personalidade, Neguinho construiu uma carreira musical além da avenida, com mais de 40 discos lançados e um repertório que reúne mais de 30 canções presentes no espetáculo.
Um musical para cantar junto
Embora inspirado em fatos reais, “O Neguinho da Beija-Flor – Musical” não segue necessariamente uma narrativa biográfica cronológica. A montagem utiliza a trajetória do artista como ponto de partida para uma construção ficcional que combina diferentes momentos de sua vida e de sua carreira.
“Embora seja um musical biográfico, a montagem é uma interpretação ficcional a partir dos fatos reais que Aydano nos trouxe”, explica Luiz Antonio Pilar. Segundo o diretor, a seleção musical foi pensada para criar uma experiência em que o público também possa participar.
A proposta acompanha a própria visão de Pilar sobre a trajetória do intérprete. Para ele, a história de Neguinho representa uma demonstração de resiliência, intuição e liberdade artística, especialmente diante das dificuldades que atravessam a carreira de muitos artistas.
Pilar chega ao espetáculo depois de dirigir outros musicais biográficos. Em 2024, recebeu o Prêmio Shell de Melhor Direção por “Leci Brandão – Na Palma da Mão”.
O encontro com Aydano André Motta aconteceu em 2024, quando o diretor soube que o jornalista e pesquisador preparava uma biografia de Neguinho da Beija-Flor e o convidou para desenvolver o texto teatral.
A trajetória de Neguinho em música
O repertório reúne algumas das principais canções associadas à carreira do artista. Entre elas está “O Campeão”, que se tornou um dos hinos do Estádio do Maracanã, além de “Sonhar com Rei dá Leão”, samba-enredo de 1976, ano da estreia oficial de Neguinho como puxador e do primeiro título da Beija-Flor.
Também estão presentes “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia!”, samba-enredo de 1989, e “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, enredo campeão de 2025 e que marcou o último desfile de Neguinho como intérprete oficial da escola.
Outro momento lembrado é “Negra Ângela”, apresentada por Neguinho ao lado de Roberto Carlos no especial de fim de ano da TV Globo, em 2008.
A direção musical e os arranjos são assinados por Matheus Camará e Rodrigo Pirikito, que desenvolveram novos arranjos vocais preservando as características da sonoridade original. A banda em cena é formada ainda por Thainara Castro, Pedro Ivo, Daniel Esperança, Wesley Lucas, Maycon Júlio e Érica Santos.
Carnaval como matéria-prima
O universo do carnaval também está presente nos elementos visuais da montagem.
O figurino é assinado por Rute Alves, uma das tradicionais porta-bandeiras do carnaval carioca e responsável por trabalhos em musicais como “Leci Brandão – Na Palma da Mão”, “Ruth & Léa”, “A Pérola Negra do Samba” e “Os Irmãos Timótheo da Costa”.
Com mais de 50 peças, muitas delas produzidas artesanalmente, o figurino incorpora referências diretamente relacionadas à trajetória de Neguinho, incluindo o conhecido macacão utilizado pelo intérprete e o azul característico da Beija-Flor.
A cenografia de Lorena Lima transforma o palco em um grande barracão de escola de samba. Uma estrutura de ferro e madeira remete aos andaimes utilizados na construção dos carros alegóricos, enquanto objetos cênicos produzidos a partir de materiais reciclados de carnavais anteriores são revelados ao longo da narrativa.
Entre os materiais reaproveitados está um grande cesto de frutas de isopor utilizado pela Beija-Flor no desfile de 2025. Outros elementos foram encontrados por meio da Sustenta Carnaval, iniciativa dedicada à coleta, triagem e redistribuição de fantasias e adereços descartados após os desfiles.
A proposta é evocar o carnaval sem simplesmente reproduzi-lo no palco, criando uma identidade visual própria para a montagem.
Música, movimento e memória
A direção de movimento e as coreografias são assinadas por Patrick Carvalho, profissional com trajetória ligada às comissões de frente do carnaval carioca. Já a preparação vocal fica a cargo do cantor e ator Pedro Lima, que reúne experiência no teatro musical e no trabalho com intérpretes de samba-enredo.
Com diferentes linguagens do carnaval atravessando música, dramaturgia, figurino, cenografia e movimento, “O Neguinho da Beija-Flor – Musical” transforma a história de um artista que dedicou cinco décadas à avenida em uma celebração de sua obra e de sua contribuição para a cultura popular brasileira.
Temporada: 10/09 a 01/11 de 2026
Dias e horários: Quintas e sextas, às 19h. Sábados e domingos, às 17h
Local: Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro – Rio)
Ingressos:
Plateia — R$ 80 (inteira) | R$ 40 (meia-entrada)
Balcão Nobre — R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia-entrada)
Balcão Simples — R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia-entrada)
Vendas online: funarj.eleventickets.com
Bilheteria do teatro: Terça a sexta, das 13h às 18h. Sábados, das 15h às 18h
Classificação etária: 14 anos
Duração: 110 minutos
Instagram do espetáculo: @oneguinhodabeijaflormusical
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