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Preta Gil lança clipe-manifesto de “Vá se Benzer” com Gal Costa

Preta Gil lançou o clipe da canção “Vá se Benzer” ao lado de sua madrinha de batismo, Gal Costa. A canção do recém-lançado álbum, Todas as Cores, ganhou um vídeo em clima de superprodução.

Dirigido por Adriano Alarcon em projeto que leva a assinatura de Nizan Guanaes, o clipe foi filmado no empreendimento Cidade Matarazzo, nas ruínas do antigo Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo, e reuniu mais de 30 atores para representar a diversidade social.

Preta Gil falou sobre o clipe e a participação de sua madrinha Gal Costa, “Quando eu escutei a música do Leonardo Reis pela primeira vez, eu achei que tinha que eternizá-la. E obviamente quando você escuta uma música com essa potência, você pensa automaticamente em algo imponente. E de cara, eu pensei na maior cantora do Brasil, a minha madrinha, a mulher que me pegou no colo assim que eu saí da barriga da minha mãe. Ao ouvir ” Vá se Benzer” me veio ela na mente. Mas fiquei com muito medo da reacão porque eu não sabia em que momento minha madrinha estava e como ela iria receber essa música. Ela gostou e cheia de amor marcou esse momento muito importante da minha vida pessoal e profissional. E essas coisas poderem se fundir nesse momento onde eu comemoro quinze anos de carreira é muito importante porque são duas realizações em uma só. Gravar uma música tão emblemática com a minha madrinha é algo muito especial, um “rebatismo”.

“Eu não recusaria um convite da Preta. Jamais. Ela me mandou a música, me falou e eu imediatamente concordei e faria com ela de qualquer maneira porque é como se fosse uma filha. Não é somente estar profissionalmente com ela, é uma coisa mais afetiva, amorosa, querida. É um momento de amor mesmo. E a música é forte, é bonita, a gravação ficou linda, eu gostei muito, mas é principalmente um encontro de amor.”, e Gal ainda completou sobre a música, “Eu acho que é muito bom que a canção apareça nessa hora. Porque as pessoas estão muito intolerantes com tudo, não respeitam as diferenças, as desigualdades e um Brasil com muita corrupção e muito preconceito. Isso é uma coisa horrível e essa música vem como um protesto contra toda essa coisa vil e ruim. Fico feliz de fazer parte disso e reclamar. “O mundo precisa melhorar. Talvez isso seja um expurgo para esse momento que o mundo está passando. Vá se Benzer porque o negócio está pesado.”Chamado de clipe-manifesto, “Vá se Benzer” ilustra o mundo moderno no qual “haters“ assumem o comando e julgam as pessoas com “likes” e “dislikes”. Onde a sociedade se divide em polos opostos repletos de ataques bilaterais por conta das divergências e diferenças entre os seres humanos.

“O clipe é mais que um clipe. É um manifesto de um momento muito singular que a gente passa atualmente. Eu acho que essa coisa da internet, da democratização da opinião, de todo mundo ter espaço de falar o que pensa e sente nas redes sociais, é muito importante. Mas as pessoas também usam a internet de uma maneira muito estranha. A gente tem a mania de julgar o outro. Temos que aprender a se policiar mas também a defender a nós mesmos. Ninguém é perfeito e a música diz “não banque o santo porque eu não pareço com você” e eu não banco a santa, eu não sou perfeita como ninguém é. Eu sei os meus defeitos, não preciso que ninguém aponte os meus defeitos porque eu mais do que ninguém, sei.”

“O “Vá Se Benzer” nessa música é um “acorda”, um “vá melhorar”. As pessoas não precisam se apegar à maldade e à ruindade. Todo mundo tem uma chance de melhorar nessa vida. O “se benzer” e a fé têm essa função de elevar as pessoas para lugares melhores. “Vá Se Benzer” é isso: se apegue a alguma coisa, olhe no olho do seu filho, beije na boca, vá ao cinema. Não tem necessariamente uma coisa ligada à religião, e sim, uma coisa ligada à vontade de viver, à vontade de ser bom, de amar e de se respeitado. Então isso é o “Vá Se Benzer”. “Vá Se Benzer” é o “melhore”, seja quem você é, mas deixe o outro ser o que quiser., finaliza Preta Gil.

 

Manifesto “Vá Se Benzer”

Vá Se Benzer!

Sou eu, diz aí quem é você entre os 7.6 bilhões dessa terra?

Quem somos na fila do pão, do “inferno” ou “céu” desse nosso existir?

Quem sobreviverá à era do ódio apocalíptico? Ao tempo bipolar em um mundo partido por

partidos, lados da mesma moeda.

Quem está livre dos “likes” e “dislikes”? Dos “gostos” e “desgostos” de convivermos na rede

virtual da sociedade?

Sou preto e você azul? Sou homo e você hétero? Sou gordo e você magro? Sou Shalom e você

Saravá? Sou isso e você aquilo? O que importa? Que diferença a diferença fará em um mundo

finito de infinitos mortais?

No final, iremos todos para um mesmo buraco, alguns cremados quando o dia chegar, outros

queimados vivos pelos seus “iguais”.

Esquecemos de respirar o ar do viver em paz e viciados na guerra, praticamos sem culpa o

esporte de julgar.

Seu Deus é melhor que o meu? E quem não tem um pra chamar de seu? Merece respirar o

mesmo ar?

Quem te ensinou a julgar não tinha defeitos? Seus medos são maiores que seus preconceitos?

Você tem moral para opinar sobre a moral do outro?

Quem é caça e caçador na selva? Mocinho ou bandido no “bang bang”? Está livre do mosquito

ou da bala perdida?

Hipócritas apontam o dedo aos gordos, índios, albinos, coxos, pequenos, negros, ricos, pobres,

cafonas… A todos que sirvam de alvo aos pescadores do ódio nas redes virtuais, nas rodas

virulentas e virais dos odiosos de plantão.

Ninguém é santo e está livre desse pecado. Quem nunca apontou o dedo?

Tem alguém perfeito aqui? Tem alguém acima do bem e do mal?

Alguém encontrou a felicidade ou a satisfação? Conta aí, compartilha.

E amar, alguém já sabe conjugar? Ainda há tempo?!

Ainda nos resta o dia de hoje, talvez o segundo seguinte, o presente, esse aqui e agora.

Seu tempo, meu tempo, seu direito, meu direito. Su casa mi casa.

Paremos de julgar, de jogar pedra, de gastar a vida fazendo com o outro o que não quer sentir

na pele.

Respeito é bom e você gosta, eu gosto.

O último a sair do jogo de acusações do homem contra o homem, acende a luz.

A luz da vida para amar e ser livre, para ser quem você é e fazer sua parte.

Tome conta da sua vida, deixe o outro pagar as próprias contas e pecados.

Crédulo ou não, ninguém é santo nesse templo da imperfeição.

Se não acreditar em nada disso, basta aceitar ser H-U-M-A-N-O, mano(a).

Humano na espécie, humano no propósito de fazer e querer ser feliz.

Pensa no outro além de si.

Estamos juntos sob a lei da ação e reação, seja “fake”, “hater”, beato ou pagão.

Fazer o bem, que mal tem?

Fazer o mal, que bem faz?

Diga aí, quem é você?

Vá Se Benzer!

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