José Renato morreu na madrugada de hoje‏

O ator José Renato faleceu na madrugada de hoje, aos 85 anos, vítima de um enfarte. Chegou a fazer a sessão de ontem da peça 12 Homens e uma Sentença, no Teatro Imprensa, depois jantou no restaurante Planeta’s e, em seguida, foi para a Rodoviária, onde pegaria um ônibus para o Rio de Janeiro, como fazia toda semana. Não deu tempo. O velório do ator José Renato Pécora, fundador e diretor do Teatro de Arena, será realizado a partir das 17h. O corpo do ator será enterrado na terça-feira pela manhã, no cemitério Morumbi.
 

Teatro de Arena  – Rua Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque.

  Abaixo, segue um texto escrito pelo ator e companheiro de palco Oswaldo Mendes.
 
“José Renato Pécora morreu no início da madrugada desta segunda-feira, 2 de maio, em São Paulo. Terminada a sessão de ontem de “12 homens e uma sentença”, ele foi jantar como de hábito no Planetas e de lá uma amiga o levou ao Terminal do Tietê onde ele pegaria o ônibus da meia-noite para o Rio. Ela o deixou na área de acesso ao terminal e, horas depois, recebeu ligação da enfermeira do Pronto Socorro de Santana, na Voluntários da Pátria, que localizou seu telefone no celular do próprio Zé Renato, comunicando a sua morte.
Avisados, fomos ao Pronto Socorro – Eduardo Tolentino e Lola, Zecarlos Machado e Rosa, Riba Carlovich, Eduardo Semerjian, Ricardo Dantos e eu – e em vão tentamos localizar o Guilherme, filho do Zé, que mora em um flat em São Paulo. Sua mulher, Angela, e o filho estão vindo de carro do Rio para São Paulo e devem chegar por volta das 10 horas. Nada, nenhuma providência pudemos tomar, pois tudo depende da presença de alguém da família para liberação do corpo, segundo os procedimentos legais. Portanto, não posso informar sobre velório e local de sepultamento. Peço que fiquem atentos no Facebook e deixo o telefone do galpão do grupo Tapa: 3662-1488.
Após a sessão de domingo, eu me despedi do Zé, na porta do Teatro Imprensa, e ainda brincamos que por pouco não viajaríamos juntos para o Rio, onde tenho um compromisso de trabalho nesta segunda à tarde e na manhã de terça-feira. Minha viagem já estava marcada para a manhã de hoje, segunda. Ele preferia sempre viajar à noite para amanhecer no Rio. Desta vez, um enfarte interrompeu sua viagem e seus muitos planos de trabalho.
José Renato, que voltou a atuar como ator depois de 56 anos, estava em um momento feliz. O sucesso de “12 homens e uma sentença” é, especialmente, o sucesso dele que, por ter feito a sua trajetória no teatro como diretor, desde que criou o Arena, não tinha provado o reconhecimento das plateias, em especial dos muito jovens que assistem ao espetáculo. Reconhecimento que agora ele experimentou com uma alegria juvenil que nós, que dividíamos o camarim com ele, testemunhamos nesses sete meses de temporada.
 
O Zé ria, fazia e provocava piadas, formava o nosso coral que todas as noites desengavetava um repertório de músicas do passado, em exercício de puxar pela memória. Era assim o “aquecimento” e a “concentração” de rotina antes do espetáculo. Uma noite, de tanto rir das brincadeiras do Riba, do Norival Rizzo e da Ieda, nossa fiel camareira, ele desabafou com um sorriso largo: “Vocês ainda vão me provocar um enfarte de tanto rir”. Na sessão deste domingo, ele trocou uma palavra do seu texto, que só o elenco percebeu. Em vez de dizer “o velho queria um pouco de atenção” ele disse: “o velho queria um pouco mais de tempo”. Me fugiu a palavra, ele se desculpou sorrindo no camarim ao final do espetáculo. Pois é, tanto ele como todos nós queríamos um pouco mais de tempo para o nosso encontro. Não fomos atendidos. Fica em nós a saudade, que dói demais. Mas fica também a certeza de que José Renato marcou definitivamente o teatro brasileiro – e, em particular, marcou a vida e o caminho de cada um de nós.
Obrigado, Zé.
Do amigo e discípulo Oswaldo Mendes “

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