Crítica: Sem Limites

Alguns dos maiores galãs de Hollywood aprenderam, muito rapidamente, que a beleza é efêmera e existe uma necessidade de renovação eterna nos cinemas. Astros como Brad Pitt e Tom Cruise, além de atuarem, também produzem seus filmes. Outros como George Clooney e Ben Affleck preferiram ficar na frente e atrás das câmeras. Que resolveu apostar em algo mais do que seu rostinho bonito é o galã da vez, Bradley Cooper. Ele é o produtor de “Sem Limites” (The Dark Fields | Limitless), baseado no livro homônimo de Alan Glynn, e dirigido por Neil Burger (do ótimo O Ilusionista).

Cooper, conhecido por comédias (Se Beber, Não Case) e filmes de ação (Esquadrão Classe A), arrisca em terreno novo, o suspense. E se sai bem. O ator segura, com carisma e atuação convincente, boa parte da trama, até porque o veterano Robert De Niro e a novata Abbie Cornish (O Brilho de Uma Paixão), que também estão no elenco, são meros coadjuvantes.

O  roteiro assinado por Leslie Dixon (Thomas Crown – A Arte do Crime) mostra a vida ordinária de Edward ‘Eddie’ Morra (Cooper), um escritor que nunca emplacou um sucesso e acaba de levar um fora da namorada (Abbie Cornish). Por acaso ele encontra o ex-cunhado na rua, e este oferece a Eddie uma poderosa substância que lhe permite usar a capacidade total do seu cérebro.

Sem ter nada a perder, o escritor ingere a pílula milagrosa e vê sua vida se transformar, literalmente, em um piscar de olhos. Ele passa a ter a capacidade de armazenar qualquer fato com uma rapidez assustadora: de aprender uma língua em algumas horas a escrever um livro brilhantes em poucos minutos. Eddie se torna um expert em números e informações, absorvendo todas as notícias e acontecimentos ao seu redor, mas claro que isso tem um preço.

Um misterioso magnata (De Niro) resolve apostar suas fichas em Eddie, transformando-o em seu aliado em um negócio que envolve algo além do que as aparências revelam. Eddie perceberá que ele não passa de uma peça numa engrenagem muito mais complexa e se vê envolvido em uma trama onde o dinheiro e o poder exercem particular fascínio.

O mais legal de “Sem Limites” (The Dark Fields | Limitless) é que o filme não julga, em momento algum, as atitudes de Eddie. Se ele está certo ou não, se a droga que ele usa deve ser ilegal ou não, se as coisas que ele faz são justas ou não… nada disso importa. Eddie não é mocinho nem vilão, ele apenas quer aproveitar a melhor chance que já teve em sua vida. Essa ausência de julgamento torna a trama interessante, levando o espectador a acompanhar as peripécias do protagonista ansioso para saber o final do filme. Mérito do roteiro e da boa direção de Neil Burger, que não
perde o ritmo.

E mérito, claro, de Bradley Cooper, que começa a trama totalmente esculachado e termina impecavelmente vestido, desfilando um figurino que só realça a beleza ímpar do ator. A trama é boa, o filme é maneiro, mas vamos combinar, só pelo Bradley Cooper já vale o ingresso. Pronto, falei.

Escrito por Janaina Pereira
Publicitária, Jornalista e Crítica de Cinema
Blog – Cinemmarte |
http://cinemmarte.wordpress.com/

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